Jorge Viana ataca ajuste fiscal: “Golpe custou R$ 660 bilhões de déficit”
via Olimpio Cruz
Da tribuna, senador diz que Meirelles prometeu controle nos gastos, mas agora compromete o futuro do país.
“Em dez anos, Lula e Dilma geraram superávits consecutivos de R$ 968 bilhões”, compara petista. Próximo presidente vai herdar um buraco de R$ 200 bilhões até 2020
A nova meta de déficit primário nas contas públicas do governo central, anunciada na terça-feira pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi duramente criticada pelo senador Jorge Viana (PT-AC).
Da tribuna do Senado, ele denunciou o descalabro das contas públicas e disse que o governo de Michel Temer piorou a situação da economia, promovendo gastos de maneira indiscriminada, para garantir apoio político no Congresso.
“O saldo do golpe, o saldo do desastre deste governo, que não passou nas urnas, chega a R$ 660 bilhões”, denunciou.
O valor mencionado refere-se aos déficits primários acumulados entre 2016 e 2020, de acordo com as estimativas anunciadas pela equipe econômica. “Os números são alarmantes. O horizonte para o país é terrível”, disse o parlamentar.
Viana comparou a situação fiscal do Brasil nestes 16 meses de existência do do governo Temer com os dez primeiros anos das gestões do PT, entre 2003 e 2013, quando as administrações de Lula e Dilma cumpriram seguidos superávits primários.
Ou seja, nos governos petistas, o governo arrecadou mais do que gastou, sem incluir as despesas com a dívida pública. “O que os críticos chamam de irresponsabilidade do PT foi o melhor período de bem-estar social do Brasil nos últimos 40 anos”, ressaltou.
“Enquanto Lula e Dilma geraram superávits acumulados de R$ 968 bilhões, este governo, em um ano e pouco, já põe um rombo para o Brasil que chega a R$ 660 bilhões, deixando para o próximo governo uma herança, um buraco, de R$ 200 bilhões”, criticou. “Estamos andando 200 anos para trás”.
De acordo com o senador, a piora da situação econômica e social no Brasil é fruto do processo de impachment fraudulento da presidente Dilma Rousseff.
“Tudo o que nós estamos vivendo, o caos político, a economia que perdeu o rumo e saiu dos trilhos, é em decorrência dessa ação política desastrosa que foi o golpe, o impeachment”, advertiu.
FUNDO ELEITORAL
Viana aproveitou para fazer duras críticas à setores da base aliada de Temer no parlamento.
“Em vez de fazermos uma reforma política séria, que respeite a opinião pública, qual é a proposta que está sendo discutida hoje na Câmara? Pôr R$ 3,6 bilhões num fundo para financiar a gastança das eleições no ano que vem”, criticou. “Esse financiamento de R$ 3,6 bilhões é para garantir a aqueles que deram o golpe, buscar os aliados para governar”.
O senador disse que é preocupante que parte da classe política se disponha a promover campanhas eleitorais bilionárias com recursos públicos, no momento em que o país experimenta uma situação inusitada de fragilidade das contas e em que os serviços públicos estão ameaçados pela falta de dinheiro.
“Eu não posso me calar diante disso. Isso não é uma reforma política, é uma afronta à opinião pública, uma provocação ao cidadão”, disse.
“A Câmara está discutindo, hoje, pegar dinheiro público que está faltando para ciência e tecnologia, para o emprego através de investimentos, para as universidades, para a saúde e para segurança e pôr num fundo, para a gastança de político em ano de eleição”, comentou.
O parlamentar lamentou que isso ocorra justamente quando o Palácio do Planalto, que assumiu o poder com um discurso de austeridade, promove gastos de maneira irresponsável, tendo como beneficiários diretos os deputados e senadores que mantêm sustentação ao governo Temer.
“O dinheiro acabou, serviços essenciais vão ficar sem ter os recursos mínimos necessários, e o governo segue fazendo a pior das políticas: tirar dos que têm menos, para garantir dinheiro e gastança dos que têm mais”, denunciou.
Viomundo

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