Os maníacos e os insensatos jamais pensarão nesta mulher revistada hoje na Favela da Kelson’s como sendo a sua mãe, nem no garoto que assiste a cena como se pudesse ser seu filho. Nunca cogitarão da humilhação que isso lhes faz.
Eles responderão: “ah, mas o tráfico pode estar usando a mochila do menino como disfarce”.
Claro, se tivessem alguma indicação disso, poderia se justificar.
Mas não, a “atuação profissional” do Exército, para variar, virou uma loteria. Retém todo mundo, revista todo mundo, que uma hora a gente acha “o bagulho”.
Nenhuma consideração sobre a humilhação e o constrangimento a que vão submeter milhares e milhares de pessoas simples, honradas, seres humanos.
Nenhuma investigação para saber – tão difícil, não é? – onde ficam os traficantes, quem são, como operam…
O próprio porta-voz do Exército diz que não há nenhum objetivo além de criar o clima de ocupação militar.
— A Operação tem objetivo de coibir, ela não tem objetivo de números. Só quer fazer ação de presença, coibir atividade ilícita. Não há cumprimento de mandados, prisões a serem realizadas. Não crie expectativa de números.
Ora, perdão, mas presença de homens armados de fuzil é algo tão simples que até o tráfico faz.
Mas lá, não, não é?
Eles não são negros, eles não são pobres, eles não são bichos.
Cuidado, porém.
Eles não são muitos.
E os humilhados e ofendidos são. E se enxergam nestas fotos onde mauricinhos e patricinhas não veem seres humanos.
TIJOLAÇO
