
Não se sabe quem poderia ser o beneficiário de tal movimento, mas interlocutores do PIB e do mercado começam a prever uma redução do entusiasmo de seus pares por Jair Bolsonaro. Atribuem ao conjunto da obra da semana: as declarações desastrosas da equipe, como a defesa de Paulo Guedes de uma nova CPMF e a série protagonizada pelo vice Hamilton Mourão; a capa da The Economist, que tem muita influência sobre esse pessoal, considerando-o “desastroso”; e a pancadaria do centro sobre o candidato do PSL nessa reta final, incluindo aí a propaganda de Geraldo Alckmin e a carta de Fernando Henrique.
Percebeu-se, afinal, que o candidato do PSL não tinha um programa econômico tão estruturado assim, e que esses improvisos podem gerar muita insegurança. Ficou claro também que Guedes, o “Posto Ipiranga” que, segundo Marina Silva, pegou fogo, também não está com essa bola toda na equipe e poderá passar boa parte do hipotético governo Bolsonaro sendo desautorizado. Os investidores estão descobrindo que, como se diz na linguagem chula, o buraco é mais embaixo.
Ainda assim, especialistas em pesquisas acreditam ser muito remota a possibilidade de Bolsonaro ser excluído do segundo turno até dia 7. Sua velocidade de perda teria que ser enorme, acompanhada de um ganho também meteórico de Ciro Gomes ou, mais dificilmente, Geraldo Alckmin. A outra vaga continuaria com Fernando Haddad, que ainda tem o que crescer à base da transfusão de Lula.
Esse efeito desencanto da parte do mercado e do PIB que até agora torce por Bolsonaro vinha sendo previsto para o segundo turno, quando os candidatos são submetidos a uma mega-exposição e fica muito mais difícil ocultar despreparo e inconsistências. Mas boa parte do establishment que brincava de Bolsonaro deu-se conta de que é agora ou nunca a chance de tentar evitar o que eles consideram um enfrentamento de radicalismos no segundo turno.
Possivelmente, prevalecerá o nunca. Mas Fernando Haddad agradece, porque seu rival chegaria mais fraco ao segundo turno.
Os Divergentes
Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;