
A questão levantada pelos caminhoneiros na mensagem atribuída a UDC, União dos Caminhoneiros do Brasil é legítima e reflete a insatisfação com o acordo firmado entre o governo e as entidades patronais do frete nacional. A questão que envolve o aumento de 14% do diesel nas refinarias, vai estrangular os pequenos caminhoneiros e quando o assunto são as grandes empresas, que compram o combustível direto nas refinarias, acaba por empurrar os autônomos a uma relação de escravos das grande empresas.
Esse quadro leva o administrador da página da UDC no Facebook, Salvador Edimilson Carneiro, conhecido como Dodô, que membro do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos no estado da Bahia, a afirmar à Folha, que a disposição da categoria é de amanhecer paralisado já. Por outro lado, as lideranças que participaram do movimento de maio, tentam acalmar os ânimos e organizar uma manifestação em frente à ANTT.
Nesse clima, durante as eleições, o resultado pode ser explosivo. Não por uma questão da dimensão da movimentação atual nos redes de contato internas do WhatsApp dos caminhoneiros, inicialmente. Mas, pelo fator bola de neve que pode fazer com que o movimento ganhe força em todo o país.
Já pela observação das reivindicações do movimento anterior e da histeria de muitos, ao pedir uma intervenção militar, é inevitável levantar a questão: Qual seria a real intenção por trás desse movimento durante as eleições?
Uma paralisação com as mesmas dimensões da de maio, agora, teria sim o potencial destrutivo do cenário eleitoral, com consequências absolutamente imprevisíveis.
Caso os grevistas abraçassem o desejo popular, pediriam por Lula nas eleições. Mas, como não se deve contar com grande raciocínio ou pensamentos mais sofisticados, certo seria pelo pedido por militares, novamente. O que traria ganhos imediatos a Jair Bolsonaro ou por um movimento intervencionista, já que o horizonte aponta para um governo de esquerda, com a transferência de votos do ex-presidente Lula para Haddad.
Como Temer é um morto vivo no governo, uma paralisação como essa só serviria como perpetuação do golpe em sua última aposta na barbárie. Levaria o mercado financeiro, a mídia e a direita como um todo, a apostar em Bolsonaro e sua política econômica de privatização total, criando uma aliança pela única opção contra as forças progressistas. De fato, uma greve dos caminhoneiros a essa altura não traria nenhuma vantagem ao país, ao contrário, só tumultuaria a já combalida democracia tupiniquim.
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