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A eleição para a Câmara dos Deputados revela outro aspecto do agravamento da crise política aberta com o golpe de 2016. Há um enorme aumento da fragmentação partidária; na verdade, passamos para um novo patamar, acima do patamar já altíssimo em que nos encontrávamos. A crer na listagem de bancadas disponível (da XP, que eu peguei de uma postagem do Bruno P. W. Reis), nada menos do que 30 partidos elegeram deputados federais. A maior bancada, do PT, mal alcança 10% das cadeiras. Os três grandes partidos diminuíram – e bastante – de tamanho (PT, MDB, PSDB). Para obter a maioria simples serão necessários no mínimo sete partidos (e a conta é só numérica, não se preocupa com a compatibilidade ideológica).
O índice de fracionarização de Douglas Rae é calculado a partir do somatório dos quadrados das frações do parlamento em mãos de cada partido e oscila entre zero (concentração absoluta, isto é, um único partido controla todas as cadeiras) e 1 (dispersão máxima das cadeiras). A rigor, o índice 1 só é alcançado se infinitas cadeiras estão distribuídas entre infinitos partidos. Para a Câmara dos Deputados brasileira atual, com 513 cadeiras, a dispersão máxima alcançável estaria em 0,998. Pois em 2018 chegamos a um índice de 0,94.
O PT, com 57 cadeiras, fez a maior bancada. A segunda é do PSL bolsonarista, com 52 deputados. A crer nos nomes dos eleitos, trata-se de um grupo ideológico e muito agressivo. Estamos de frente à possibilidade de ter um forte grupo parlamentar neofascista, que ainda deve agregar trânsfugas dos partidos tradicionais da direita, tipo Kim Kataguiri.
Vencer o Coiso no segundo turno é só a primeira etapa da corrida de obstáculos.
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Luís Felipe Miguel é professor da UNB, coordenador do Demodê – Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades. É também o criador da disciplina sobre o golpe, na universidade onde leciona.
DCM

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