Ao chegar diante da urna eletrônica, neste domingo, a cirurgiã-dentista Daniela Rodrigues, de 33 anos, não vacilou nem por um segundo: para presidente, votou em Jair Bolsonaro (PSL). "A principal razão do meu voto foi por ele não ser corrupto. É honesto, transparente e tem coragem de encarar os desafios para uma mudança verdadeira no país", disse ela, que é baiana e vota em Salvador.

Victor Uchôa
De Salvador para a BBC News Brasil

Direito de imagemREUTERSImage captionPolarização entre ideias de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad continua no segundo turno


Em São Paulo, por sua vez, Iana Cossoy Paro digitou na urna com a mesma convicção, mas optou por Fernando Haddad (PT). "Ele tem experiência administrativa. Na minha cidade, no meu tempo de vida, pra mim nunca houve uma gestão como a dele, com ideias progressistas e respeito pelas pessoas. Além do seu trabalho como ministro da Educação, de democratização das universidades", afirmou a roteirista de 39 anos.

Abertas as urnas do primeiro turno, deu aquilo que já indicavam as pesquisas de intenção de voto: no dia 28 de outubro, eleitores terão que escolher entre Bolsonaro - que conquistou 46% dos votos válidos no 1º turno - e Haddad - que passou ao 2º turno com 29,3% da preferência dos eleitores.

Ou, visto de outra maneira, entre argumentos como os de Daniela e Iana.

"Bolsonaro é o único candidato da direita sendo conservador nos costumes e liberal na economia. Quando digo conservador nos costumes não significa retroceder no tempo, nem ser careta, refiro-me à (conter a) deterioração dos valores e da cultura, vinda dos governos anteriores e fruto do marxismo cultural", apontou Daniela.

Segundo a odontóloga, outra razão para ter votado em Bolsonaro é que ele seria o único capaz de derrotar o PT, legenda na qual já votou e diz se arrepender. "E ele também é a favor da redução da maioridade penal e contra a legalização do aborto, o material gay e a ideologia de gênero nas escolas infantis", lista ela, trazendo à tona expressões comuns entre os eleitores de seu candidato.

No mês que antecedeu o primeiro turno, todas as postagens de Daniela em seu perfil do Instagram foram de exaltação a Bolsonaro.

Instada a comentar sobre o posicionamento do candidato em relação às mulheres, ela rechaçou que o deputado federal seja misógino, atribuindo as acusações às "notícias sensacionalistas".

"A mídia mostra o que pagam pra ela falar", diz. E o que achou do movimento #EleNão, coordenado por mulheres e que levou milhares de pessoas às ruas contra Bolsonaro? "Foi encabeçado e divulgado pelos movimentos feministas, setores da esquerda e artistas com interesses pessoais na Lei Rouanet", afirmou.

Com voto diferente, Iana Cossoy Paro define sua escolha por Fernando Haddad como uma opção "pela civilidade frente à barbárie".

"Haddad sempre prezou pelo diálogo, e isso é muito importante num momento em que estamos ameaçados de não poder discutir democraticamente", diz ela, para quem uma eventual eleição de Bolsonaro seria como entregar o país ao fascismo.

"Do ponto de vista administrativo, Haddad teve uma gestão em São Paulo reconhecida internacionalmente. É só pesquisar pra ver. Melhorou a mobilidade dos trabalhadores, diminuiu as mortes no trânsito e criou uma secretaria de Direitos Humanos com atenção às pessoas", enumera.

Frente às acusações de corrupção envolvendo membros do PT, inclusive o candidato Fernando Haddad e o ex-presidente Lula, que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá, a roteirista afirma que "existem acusações que procedem e outras que não procedem".

"Não tenho visão ingênua da política e sei que as acusações também não são ingênuas. Existem muitas mentiras e más intenções."

Em seguida, lembra de outro fator que pesou na sua escolha por Haddad: a candidata a vice-presidente, Manuela d'Ávila (PCdoB).

"Desde o golpe, em 2016, passamos a prestar atenção no cargo de vice, e a Manuela é uma mulher da minha geração, com ideias progressistas, especialmente em defesa das mulheres e de quem mais precisa. Isso pra mim foi importante", disse.


BBC News Brasil

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