Há uma corrente por aí procurando passar a mão na cabeça de Ciro, uma justificativa qualquer para sua atitude omissa no segundo turno das eleições presidenciais deste ano.
Mas que ele fez é indesculpável . Pensou apenas em si, em sua carreira de eterno concorrente sem chegar a lugar algum. O Brasil que se dane. Foi assim que ele agiu.
Em 1989, Brizola viu sua última chance de concorrer à presidência escorrer entre os dedos, quando Lula foi para o segundo turno contra Collor e ele ficou um terceiro.
O que fez Brizola? Em vez de pensar em sua carreira (em todos os sentidos muito maior e mais vitoriosa que a de Ciro ), lançou-se apaixonadamente na campanha em defesa da eleição do "sapo barbudo", que ele mesmo teve que digerir antes dos outros.
Ciro, ao contrário, omitiu-se. Covardemente ficou em Paris à espera de uma definição do quadro no Brasil para se posicionar. Garanto que se Haddad se aproximasse de Bolsonaro, ele viria para a campanha, com o objetivo de colher algum louro em caso de vitória.
Como isso não aconteceu, ele lavou as mãos como Pilatos, e deixou o país entregue a um fascista despreparado, à espera de colher um fruto do caos que ele supõe virá a seguir.
Só que sua omissão é diretamente responsável pela eleição de Bolsonaro. Se tivesse agido como Brizola, as chances de vencermos seriam enormes, como apontavam as pesquisas no primeiro turno, em que Haddad vencia Bolsonaro com seis pontos de vantagem [Datafolha, 29 de setembro].
Sua presença traria um novo ritmo à campanha. Mas ele se omitiu e muitos ciristas não compareceram às urnas ou anularam seus votos.
Por isso, a união das esquerdas não passa por Ciro. Primeiro porque ele não sabe o que é união. Segundo , porque não é de esquerda. Terceiro, porque uma união das esquerdas sem o maior partido de esquerda, o PT (como defende Ciro), só na cabeça megalomaníaca dele.
Ciro é apenas uma pretensão à espera de um lugar na história, que infelizmente para ele já está ocupado pelo PT.
Blog do Mello

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