Com o desenvolvimento do golpe de Estado e o subsequente avanço da direita nas diferentes esferas do poder político, uma crescente crise tem se desenvolvido dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Nesse ínterim, uma ala direitista tem tentado a todo custo desenvolver uma política à direita buscando entrar em conformidade com as exigências do golpe, enquanto a outra ala tem procurado evoluir a política à esquerda – através da luta contra o golpe, que enxerga como pedra angular do movimento político a libertação do ex-presidente Lula.

Enquanto um bloco, encabeçado por Gleisi Hoffmann, continua a insistir na libertação do ex-presidente Lula (preso injustamente), outro bloco, cujas figuras de maior exposição se encontram em Jacques Wagner, Tarso Genro e Fernando Haddad, revela-se – através de seguidas capitulações – como arrivista, onde os interesses de maior importância se dão na perspectiva de aceitamento por parte da direita; o que se consuma numa política totalmente liquidacionista e, que ao fim e ao cabo levará o partido à bancarrota.

Mesmo estando preso em Curitiba desde 7 de abril, Lula tem dado sinais de sua perspicácia política. O ex-presidente tem sinalizado apoio contínuo à combativa presidenta do partido, Gleisi Roffmann, deixando Haddad sem qualquer cargo e; também contrariado a fantasiosa imposição dos arrivistas que o tem pressionado a creditar Fernando Haddad como líder emergente.

Na medida em que os acontecimentos se desdobram, o oportunismo se mostra o agente do descaso. Na última quarta-feira (7), o abutre Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) reuniram-se em Brasília para a formação de uma frente de “centro-esquerda” visando uma “oposição” ao governo de Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Haddad visitava Lula nas masmorras de Curitiba. Todos esses acontecimentos têm ocorrido sob intensa pressão da imprensa golpista e até mesmo de partidos de esquerda que cobram uma “autocrítica” por parte do partido. Para os moralistas e oportunistas de plantão, o que vale são seus espúrios interesses. Ora! Se existe uma forma mais eficiente de pôr a cabeça à forca, não conhecemos; pois, quem supre o inimigo, trabalha com o carrasco. Se existe uma forma de autocrítica, esta só pode ser dada na evolução da política à esquerda, combativa e que concentre os setores que se esmeram para derrubar o golpe de Estado.

Diferentemente do PDT e outros partidos ditos de esquerda, o PT, dada sua base social, é um partido capaz de mobilizar a população contra o golpe. Nesse sentido, o desenvolvimento de uma política de “centro-esquerda”, só facilitaria a cooptação de boa parte da esquerda pela direita, além de promover uma involução política no sentido da luta contra o golpe – iniciado pelo desgoverno transicional do lacaio Michel Temer (MDB) e, que se encontra em marcha acelerada com a eleição fraudulenta do filisteu Jair Bolsonaro (PSL). É necessário, portanto, deixar claro que, caso o PT queira sobreviver à hecatombe prenunciada pelo governo do capitão boçal – precisa desenvolver uma política à esquerda; enxotando os arrivistas e sabotadores, bem como a ala direitista pequeno-burguesa, que ao fundo do compasso político – almejam apenas um lugar ao sol na terra dos desabrigados.


Diário Causa Operária

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