A próxima crise financeira global será dos CLOs. O alerta é da economista Carmen Reinhart, uma das grandes especialistas globais em crises financeiras, parceira de Kenneth Rogoff em alguns livros referenciais sobre crises financeiras em economias avançadas e nos mercados emergentes.
São dois os efeitos da redução global dos juros, a partir da política monetária implementada pelo FED (o Banco Central norte-americano).
O primeiro, o amplo endividamento de países e corporações, valendo-se da oferta ampla de crédito de baixo custo. O segundo, o crescimento de um mercado de dívida corporativa que começa a repetir a saga do subprime – a crise do mercado hipotecário norte-americano que se alastrou pelo mundo em 2008.
A busca de melhores remunerações fez os fluxos financeiros se dirigirem a dois mercados de risco maior: o dos países emergentes (EM) e das corporações norte-americanas com baixa classificação de crédito (que Reinhart chama de USAEM).
A bolha em formação é em torno de uma nova modalidade de crédito, as obrigações de empréstimo garantido (CLOs). , O S & P / LSTA US Loan 100 Index identificou um aumento de cerca de 70% nesse mercado, no início de dezembro em relação aos níveis de 2002.
Há muitos pontos em comum entre os CLOs e o subprime.
A crise do subprime seguiu o seguinte ciclo:
- Os bancos conseguiram eliminar o risco dos empréstimos hipotecários em seus balanços, juntando os crédito de maior risco em carteiras que eram negociadas com deságio com o chamado mercado sombra (de instituições pouco reguladas).
- Por sua vez, esses fundos garantiam suas carteiras com cartas de seguro.
- Com o risco minimizado, passaram a descuidar cada vez mais da capacidade de pagamento dos mutuários. Por outro lado, o aquecimento do mercado valorizava os preços dos imóveis, que serviam de garantia para empréstimos cada vez maiores.
- Quando explodiu a crise, houve o efeito contágio. Os preços dos imóveis despencaram e as garantias viraram pó.
Com as CLOs repete-se o mesmo padrão especulativo, embora de forma menos abrangente.
Tem a fase inicial, da formação da bolha, com o capital entrando, alavancada pelo bom momento que vive a economia norte-americana, próxima ao pleno emprego.
O modelo se espalhou pela Europa e chegou ao Japão. Na Europa, em 2018 houve aumento de 40% na emissão de CLOs. Ou seja, já existe uma rede global de contágio, quando a bolha estourar.
A crise virá em um segundo momento quando ocorrerem simultaneamente três fatores-chave para uma crise financeira: o aumento dos níveis de endividamento, a erosão no valor das garantias e a queda nos preços das ações.
Some-se o fato desse mercado de CLOs ser praticado majoritariamente pelas chamadas instituições-sombra, fundos e bancos de investimento. Aparentemente, o mundo não aprendeu todas as lições que poderia, com a crise de 2008.
Essa bolha, por si, não é mais abrangente que a do subprime. Mas o estouro se dará em uma economia na qual as dívidas corporativas e de países – especialmente na China e dos EUA – assumiram níveis quase alarmantes.
Dias atrás, o BIS ( o Banco Central dos bancos centrais) alertou para três fatores de atenção: a fragilidade dos bancos europeus, o risco de inflação elevada (provocando aumento das taxas nos EUA) e a forte concentração da dívida corporativa nos EUA na categoria de crédito BBB que é apenas um nível acima dos títulos junk (mais arriscados).
GGN

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