A turma “uatzapeira” de Jair Bolsonaro deveria saber que demorar a responder, neste estranho mundo, não é prudência, é sinal de mentira. Até uma universidade americana se deu ao trabalho de confirmar estatisticamente o que é sabido em qualquer roda de adolescentes.

Jair Bolsonaro até que não foi o mais lento, saindo logo com a história do empréstimo pessoal para explicar as transferências para sua mulher.

Mas a família foi.

A “história plausível” do PM Fabrício não apareceu, como o próprio Fabrício, não apareceu.

O que apareceu foi a família inteira empregada nos gabinetes e despejando os salários na conta do assessor.

Os saques em dinheiro – e de quantias expressivas – complicaram mais.

Será que contam que o tempo “esfriará” o caso?

Janio de Freitas, na Folha de hoje, levanta uma boa hipótese: dentro de 22 dias, o Coaf, fonte de toda a “bagunça” estará na mão do Moristério da Justiça.

E, quem sabe, aí o caso não venha mais ao caso…

Tempo de combinarJanio de Freitas, na Folha

A falta de esclarecimento imediato por quem o devia aumentou a aparência viciosa da presença de Michelle Bolsonaro nas incoerências financeiras do motorista de Flávio Bolsonaro. Se não por ética pessoal, como obrigação de presidente eleito não podia Jair Bolsonaro dispensar-se de explicar o recebimento, por sua mulher, de um valor financeiro “atípico”.
Nas circunstâncias especiais do momento, também o motorista Fabrício de Queiroz devia pronta explicação do repasse feito e da sua movimentação de R$ 1,2 milhão em 2016, ou R$ 100 mil por mês, em valores da época. O silêncio de todos equipara-se à atitude dos que precisam combinar suas explicações.
De Onyx Lorenzoni e Sergio Moro vieram duas contribuições para a estranheza do silêncio. O primeiro protestou e interrompeu uma entrevista coletiva, ao se ver indagado sobre o assunto. Como deputado, há mais de 15 anos Lorenzoni é um dos mais intempestivos nas inquirições parlamentares. Não tem limites. Moro, confrontado com o assunto, saiu em silêncio.
Para um grupo autoproclamado de moralizadores do país, convenhamos que tanto o fato inicial como a fuga para o silêncio não saem da vulgaridade. Sem por isso surpreender, é verdade. PM até o mês passado, o motorista financeiro é, além do mais, velho companheiro do Bolsonaro pai. Dado no noticiário como ex-servidor do gabinete de Flávio Bolsonaro, um verbo na nota do senador eleito expõe a permanência do vínculo, mesmo fora do serviço público: “trabalha há mais de dez anos como motorista e segurança do deputado Flávio Bolsonaro”. Relação “de amizade e confiança”. Tipo para o que der e vier.
Não seria impossível, muito ao contrário, que o Bolsonaro pai estivesse avisado da constatação, não recente, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, na conta do motorista cujo último vencimento de servidor foi de R$ 8.500. Doze meses desse valor atual equivaleriam a um só mês da movimentação financeira média do então PM em 2016. Pode ser tudo legal, mas não considerável assim enquanto não demonstrada essa legalidade. O mesmo quanto à destinação dos montantes destinados. Informado ou não, Bolsonaro transfere o Coaf da área econômica para o Ministério da Justiça. Futura sede da Doutrina Moro, segundo a qual, para alguns, a exemplo do presenteado Onyx Lorenzoni, ilegalidade como caixa dois é anulável com simples pedido de desculpas, só.

TIJOLAÇO

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