Numa equipe de governo integrada por tantos militares experimentados e um presidente eleito que fez da defesa da ordem a bandeira de campanha, é de espantar que até agora não se tenha tomado nenhuma providência séria para investigar a denúncia de Carlos Bolsonaro, que postou em seu twiter:

"A morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após a sua posse! É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário!".

Você pode achar que uma afirmação dessa natureza é apenas uma manifestação desequilibrada.

Quem sabe um caso de filho descontente com o tratamento dado pelo pai-presidente. Ou, ainda, um maníaco de conspirações familiares. Talvez um ressentido. Vai saber.

Até o momento, não vejo razão para acreditar seriamente em outra coisa. Mas isso não importa.

O próprio Bolsonaro deu sequência à especulação: "minha morte interessa a muita gente".

A experiência ensina que é preciso ir aos fatos.

Para um presidente eleito cujos passos iniciais configuram um fiasco anunciado, já legível nas entrelinhas de vários de seus aliados, a vitimização é sempre uma opção conveniente e bem conhecida.

O fantasma de um crime violento sempre ajuda a criar o clima para uma solidariedade milhares vezes maior do que a gerada pela facada de Juiz de Fora.

Pode ainda servir de estimulo para ações repressivas em larga escala. Uma nuvem de incertezas e temores é sempre útil para a criação de um ambiente artificial, propício a intervenções policiais de envergadura.

Por isso é preciso saber por que Carlos Bolsonaro disse o que disse.

Ou há motivos concretos para fazer uma afirmação de tamanha gravidade como o assassinato de um presidente.

Ou sua afirmação não passa de um alarme irresponsável, que intoxica o espaço público para obscuros acertos de contas.

A naturalização de afirmações graves, cujo fundamento se desconhece, é uma forma conhecida de terrorismo psicológico. É uma versão da pós-verdade, da campanha de fake-news.

Por todas essas razões, os 210 milhões de brasileiros têm o direito de saber o que pai e filho disseram e por que. O silêncio, aqui, só beneficia quem ganha manchetes e joga na sombra.

Alguma dúvida?


Brasil 247

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