Como no universo paralelo dos gibis do Superman, futuros ministros parecem caricaturas dos antecessores nos governos Lula e Dilma
OS SUPER-HERÓIS DO MUNDO BIZARRO POR ERIC POWELL
Cynara Menezes
O principal critério de Jair Bolsonaro para a composição de seu ministério tem sido escolher a dedo cidadãos que simbolizem o exato contrário de seus homólogos petistas. É absurdamente meticulosa até aqui a busca por perfis que sejam a imagem invertida dos nomes mais vistosos do PT nos governos Lula e Dilma. Uma espécie de Mundo Bizarro onde os petistas foram substituídos por personagens que são o seu oposto em tudo.
O Mundo Bizarro é um universo paralelo criado em 1960 pelo roteirista Otto Binder e o desenhista Wayne Boring, embora o Bizarro, o Super-Homem invertido, tenha aparecido pela primeira vez em um gibi do Superboy três anos antes. Cada um dos super-heróis e mesmo os vilões estão representados por um clone imperfeito seu, desprovidos de nobreza: tem a Bizarra (a Mulher-Maravilha Bizarra), o Batman Bizarro, o Lex Luthor Bizarro… O Super-Homem Bizarro não teme a criptonita; o Batman Bizarro usa um cinto de futilidades, cheio de pontas de cigarro; e a Bizarra é uma simplória que acha que o homem é superior à mulher. Soou familiar?
Sem dúvida, a metáfora mais evidente com o Mundo Bizarro é a figura da futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, que claramente encarna uma versão caricaturesca da ocupante da pasta durante o governo Dilma, a deputada federal Maria do Rosário, do PT. Rosário tem sido, nos últimos anos, alvo dileto dos ataques mais vis da extrema-direita, que já utilizou inclusive sua filha adolescente para atingi-la. E Bolsonaro (Freud explica) caçou uma versão Bizarra de sua arqui-inimiga para o ministério: uma pessoa contra os Direitos Humanos na pasta dos Direitos Humanos.
Rosário quer garantir o atendimento às mulheres que abortaram na rede de saúde pública; Damares vai ressuscitar o Estatuto do Nascituro, que prevê “bolsa-estupro” para a mulher vítima de violência sexual que preferir ter o filho em vez de recorrer ao aborto legal. Professora, Rosário é a favor do estado laico; pastora evangélica e advogada, Damares diz, atentando contra a Constituição, que é hora de a igreja governar. Rosário é feminista; Damares é antifeminista e acha que o lugar da mulher é em casa, cozinhando e cuidando dos filhos (embora ela mesma tenha saído para trabalhar). Quer duas pessoas mais opostas do que essas?
O principal critério de Jair Bolsonaro para a composição de seu ministério tem sido escolher a dedo cidadãos que simbolizem o exato contrário de seus homólogos petistas. É absurdamente meticulosa até aqui a busca por perfis que sejam a imagem invertida dos nomes mais vistosos do PT nos governos Lula e Dilma. Uma espécie de Mundo Bizarro onde os petistas foram substituídos por personagens que são o seu oposto em tudo.
O Mundo Bizarro é um universo paralelo criado em 1960 pelo roteirista Otto Binder e o desenhista Wayne Boring, embora o Bizarro, o Super-Homem invertido, tenha aparecido pela primeira vez em um gibi do Superboy três anos antes. Cada um dos super-heróis e mesmo os vilões estão representados por um clone imperfeito seu, desprovidos de nobreza: tem a Bizarra (a Mulher-Maravilha Bizarra), o Batman Bizarro, o Lex Luthor Bizarro… O Super-Homem Bizarro não teme a criptonita; o Batman Bizarro usa um cinto de futilidades, cheio de pontas de cigarro; e a Bizarra é uma simplória que acha que o homem é superior à mulher. Soou familiar?
BIZARRO X SUPERMAN
Rosário quer garantir o atendimento às mulheres que abortaram na rede de saúde pública; Damares vai ressuscitar o Estatuto do Nascituro, que prevê “bolsa-estupro” para a mulher vítima de violência sexual que preferir ter o filho em vez de recorrer ao aborto legal. Professora, Rosário é a favor do estado laico; pastora evangélica e advogada, Damares diz, atentando contra a Constituição, que é hora de a igreja governar. Rosário é feminista; Damares é antifeminista e acha que o lugar da mulher é em casa, cozinhando e cuidando dos filhos (embora ela mesma tenha saído para trabalhar). Quer duas pessoas mais opostas do que essas?
A metáfora mais evidente com o Mundo Bizarro é a figura da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, caricatura da ocupante da pasta durante o governo Dilma, Maria do Rosário, do PT. Bolsonaro escolheu uma versão Bizarra de sua arqui-inimiga Rosário para o ministério
Escolhido por ser a tradução togada do antipetismo no país, Sérgio Moro, o Batman do Mundo Bizarro de Bolsonaro, é o justiceiro parcial, para quem a Justiça é uma balança viciada, que pende para um lado só. Um típico membro da Liga da Injustiça, a versão Bizarra da Liga da Justiça.
A LIGA DA INJUSTIÇA VERSÃO LEGO. FOTO: DIVULGAÇÃO
BIZARRO POR ERIC SPITLER
Nas histórias em quadrinhos da DC, o lema do Mundo Bizarro era: “Nós fazemos o oposto das coisas da Terra! Detestamos a beleza! Amamos a feiúra! É um crime grave fazer coisas perfeitas no Mundo Bizarro!”. Bem a propósito, o planeta de origem dos Bizarros, Htrae (Earth, Terra, ao contrário) é plano. Ou melhor, em formato de cubo. Qualquer semelhança não será mera coincidência.
O MUNDO BIZARRO É PLANO
Socialista Morena





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