O dia do Trabalhador é simbólico para a reflexão sobre a renda do trabalho no capitalismo contemporâneo. A mídia brasileira divulgou no último dia 28 de abril que 4 milhões de trabalhadores "autônomos" atuavam no Uber, iFood e outros aplicativos gerenciados do exterior. (Veja aqui)
Sim, porque a cobrança pelo uso das plataformas se dá no percentual em torno de 25% do valor de toda a renda auferida com o seu trabalho. Um quarto de toda a renda apenas pelo uso das plataformas. todo o restante é bancado pelo trabalhador: carro, combustível, licenciamento, multas, manutenção, seguro, etc.).
Se for retirado esse custo não seria demais dizer que o trabalhador chamado de autônomo estaria quase dividindo a renda do seu trabalho com os donos dessas plataformas. Nessa conta, poderíamos dizer que ao invés de 1 milhão, seriam 2 milhões dos 4 milhões de trabalhadores dessas plataformas gerando renda para os rentistas que controlam a economia do compartilhamento.
Imaginem, é como se um 1 milhão de trabalhadores (25% de 4 milhões) fossem escravos a serviço dos donos dos dinheiros (ou do capital).
Isso é o que eu tenho interpretado c omo sendo uma "renda derivada" que vai alimentar o "rentismo" do setor financeiro e dos fundos globais.
A Uber que nasceu em 2009, em 2017 já estava presente em 450 cidades do mundo, quando já tinha sido capitalizada com US$ 70 bi dos fundos financeiros globais que agora capturam os excedentes das economias locais/nacionais.
Dessa forma, os fundos financeiros aspiram a renda originária do trabalho e movimentava as economias locais e que assim alimenta o rentismo da mercadoria dinheiro do capitalismo financeiro atual.
Portanto, ao contrário do que imagina, é algo que vai além da disputa entre taxistas e jovens sem emprego.
Outras plataformas digitais dessa economia do compartilhamento faz o mesmo, só que nesse caso se apoderando de outra renda, a do aluguel da propriedade que também alimenta o rentismo.
Porém, a primeira é mais perniciosa porque se apropria de um quarto da renda do trabalho, enquanto a do aluguel é renda dos proprietários e da disputa com redes de hotéis também controlada em boa parte pelos fundos financeiros.
Investigar o rentismo é ir além da ideia dos juros bancários e compreender as rendas derivadas e de quem elas alimentam.
Na publicação que lançaremos em breve sobre a "indústria dos fundos financeiros" nós avançamos nessa análise e na interpretação de seus movimentos no capitalismo contemporâneo.
Blog do Roberto Moraes

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