Jornal GGN – As novas conversas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol reveladas pelo Intercept Brasil na noite de quarta (12) reforçam que o ex-juiz da Lava Jato auxiliou o Ministério Público Federal sugerindo estratégias para os processos envolvendo o pacote de delações da Odebrecht.

No dia 21 de junho de 2016, Dallagnol enviou a Moro uma mensagem com o balanço da negociação da delação com executivos da Odebrecht, indicando o nome de vários políticos implicados – de Dilma Rousseff a Eduardo Cunha, de Geraldo Alckmin a Antonio Palocci. Este último viria a ser preso, condenado e transformado em candidato a delator, anos depois.

Naquele mesmo dia, a Folha de S. Paulo soltou uma matéria com a seguinte manchete: “Em delação, Marcelo Odebrecht admitirá elo com repasses para Dilma”. A reportagem informava que o processo de delação ainda estava em andamento.

Diante dos políticos delatados, Moro sugeriu que a força-tarefa cuidasse de divulgar os casos aos poucos. “Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus. Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova.”

Em outra mensagem, meses depois, Dallagnol volta a reportar a Moro o status da negociação com a Odebrehct, e pede para o então juiz “não passar pra frente”. Havia cerca de 300 políticos brasileiros na lista, mais 72 autoridades estrangeiras.

Moro quis saber: “Tudo isso corrupção e lavagem ou muitos casos de cx2 [caixa 2 eleitoral]?”

Dallagnol respondeu que ainda não sabia dizer. “Intuitivamente, com base nas leituras e análises: 30% claramente propina. Eles e nós reconhecemos 40% zona cinzenta: depende de diligências ou análises; 30% claramente caixa 2 e nós concordamos.”

Moro, então, sugeriu mais uma vez uma estratégia de atuação: “Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais [“claramente propina”]. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e Judiciário.”

No futuro, o Supremo Tribunal Federal viria a decidir que cabe a Justiça Eleitoral processar e julgar casos de corrupção que tenham relação com caixa 2.

Leia, abaixo, a conversa divulgas pelo Intercept.

21 de junho de 2016

Deltan – 11:58:10 – VISÃO GERAL EM 06-06-15: 1. TOTAL DE RELATOS: 98 2. COLABORADORES: 45 3. NUMERO DE POLITICOS: 150 4. POLITICOS CUJOS PAGAMENTOS JÁ FORAM LOCALIZADOS: R$ 470 MILHOES (identificado o político beneficiário da propina) – Ness montante apenas pagamentos ilegais 1. Corte temporal de 2008 a 2014 2. SÉRGIO CABRAL responde só por R$ 100 milhões 3. OUTROS POLÍTICOS IDENTIFICADOS (identificados pela defesa como relevantes/ envolvem Governadores de 13 Estados e 7 Ministros de Estado): 1. MICHEL TEMER 2. DILMA 3. LULA 4. EDUARDO CUNHA 5. AECIO NEVES 6. ALCKIM 7. ALOISIO MERCADANTE 8. PAULO SKARF 9. ANTONIO PALOCCI (DILMA) 10. SERGIO CABRAL 11. JOSE SERRA 12. HADAD (PREFEITO) 13. HENRIQUE ALVES 14. ROMERO JUCÁ 15. RAIMUNDO COLOMBO (SC) 16. ANTONIO ANASTASIA 17. EDINHO SILVA (DILMA) 18. EDISON LOBAO 19. ELISEU PADILHA (ARRECADAÇÕES PMDB) 20. FERNANDO PIMENTEL 21. FRANCISCO DORNELES 22. GUIDO MANTEGA (DILMA) 23. RENAN CALHEIROS 24. MARCOS PEREIRA (MIN. INDUSTRIA) 25. JAQUES WAGNER 26. BRUNO ARAUJO (MIN. CIDADES) 27. EDUARDO PAES 28. MOREIRA FRANCO 29. KASSAB 30. PEZÃO 31. MARCONI PERILO (GOV. GOIAS) 32. GLEISI HOFFMAN

Moro – 12:40:32 – Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus.

Moro – 12:42:13 – Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova

Moro – 13:28:32 – Espero que LJ sobreviva ou pelo menos nós

Deltan – 13:55:27 –


GGN

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