Em artigo, jornalista diz que o ano de 2020 será possível ver quem é quem diante de um quadro que vai exigir coragem para enfrentar – e para perder
Por Jornal GGNJornal GGN – A história mostra que nenhum regime autoritário se instala sem a cumplicidade da maioria, e isso também é válido para outros acontecimentos. Nenhum silêncio é inocente, e toda omissão acaba sendo uma ação. Essa é a escolha para os brasileiros em 2020.
“Diante do avanço autoritário liderado pelo antidemocrata de ultradireita Jair Bolsonaro, que está corroendo a justiça, destruindo a Amazônia, estimulando o assassinato de ativistas e roubando o futuro das novas gerações, cada um terá que se haver consigo mesmo e escolher seu caminho. 2020 é o ano em que saberemos quem somos —e quem é cada um”, afirma a escritora Eliane Brum, em seu artigo publicado no jornal El Pais.
Existem diversas ações em curso: enquanto o mercado, a academia e parte da imprensa exaltaram aquilo que chamaram de “melhora econômica”, policiais matam nas periferias, ambientalistas são acusados de crimes que não cometeram, indígenas e agricultores são executados, bombas explodem na porta da produtora do programa Porta dos Fundos e “agentes de segurança” condenados por crimes os únicos que são libertados no indulto de Natal.
“Os sinais estão por toda parte, mas membros respeitados de instituições da República que deveriam ser os primeiros a percebê-los —e combatê-los— seguem inflando a boca para assegurar que “a democracia no Brasil não está ameaçada””, diz a articulista, ressaltando que o quadro é semelhante ao que se viu na fomentação da ditadura.
“Com todas as desculpas possíveis, auxiliadas pela polarização que desloca o perigo para uma falsa oposição. Com todos os erros e os crimes do PT no poder, o antipetismo não é justificativa aceitável para alguém seguir a corrente. Não tem mais clima para se fingir de iludido”, afirma Brum. “Basta ter vergonha na cara para perceber que não se trata mais do PT. Se trata da corrosão do que ainda resta de democracia no Brasil”.
Ao mesmo tempo em que muita gente lava as mãos diante do que está acontecendo no Brasil, outros estão angustiados perguntando o que fazer. Essa resposta terá de ser criada por iniciativa daqueles que se questionam, diz Eliane.
“Este é um momento em que precisamos fazer melhor o que sabemos fazer, mas também precisamos fazer bem o que não sabemos. Apenas o que sabemos já não é suficiente. O que somos já não é suficiente. Temos que ser melhores do que somos para enfrentar este tempo em que já não há tempo. E temos que ser juntos, fazendo laços e tecendo redes entre nós”, ressalta.
GGN

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