A não ser por uma reviravolta no humor do mercado e ações em Nova York – sem sinal disso, ao contrário – a nossa ex-vedete financeira, a Bolsa de São Paulo, deve perder os 100 mil pontos que, em junho do ano passado, foram a grande “prova” de que, com cortes e “reformas” antissociais, a economia, afinal, ia deslanchar.
Com variações temáticas, o enredo é o mesmo desde meados de 2016, com a derrubada do governo legítimo: dólares viriam nos salvar, desde que estivéssemos dispostos a soltar a mão de nosso próprio povo e tirar-lhe serviços e direitos.
Quatro anos depois, é claro, a estes ninguém pede autocríticas. A culpa, sucessiva e alternadamente, é do Joesley, dos caminhoneiros, de Brumadinho, da Argentina e do coronavírus. E sempre, em cada um destes momentos, “do PT”.
O Globo lança hoje um patético editorial pedindo que Jair Bolsonaro desmonte “o picadeiro eletrônico que armou à frente do Alvorada”.
É tarde para isso, até porque a grande mídia e o establishment o ajudaram a montar a lona deste circo de horrores, tomados pelo furor de ódio ideológico antipetista, achando que domaria o presidente.
Não percebem – e muitos percebe e não se importam – que Bolsonaro não tem nenhum compromisso com a prosperidade econômica, mas com a periferia “empreendedora”, ou milícia do capitalismo, expressa em garimpos, desmatamentos, picaretagens negociais de empreendimentos turísticos e outras aventuras do dinheiro.
Tudo o que querem, diante dessa crise imensa, é mais do mesmo que não funciona para o país, embora funcione, como mostra a exuberância dos lucros dos bancos, para o capital.
Tal como o coronavírus, a crise do capital se instala, se espalha e atinge graus dramáticos. Ainda não estamos neles, ainda.
Governantes e elites estúpidas, como sempre, acham que dinheiro é imune a tudo, ainda mais com o Estado sempre pronto a dar-lhes mais nas dificuldades.
A vaca estatal, porém, está magra.
TIJOLAÇO

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