Mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, miliciano morto em operação policial, Raimunda Veras Magalhães, 70 anos, vive em Astolfo Dutra, no interior de Minas. O MP-RJ a considera testemunha-chave para revelar detalhes de um esquema que abasteceu a conta de funcionários fantasmas na Alerj, onde Flávio Bolsonaro cumpria mandato antes de ser eleito para o Senado
Suspeito de envolvimento com o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), o miliciano teria deixado algo em torno R$ 10 milhões em patrimônio para a mãe. Ele era dono de fazendas, casas, apartamentos, cavalos de raça, empresas, tudo em nome de laranjas. Dona Vera contribuiu com um depósito para a compra de uma das fazendas, no Tocantins. Também é sócia de três restaurantes na Zona Norte carioca. Em um deles, o filho tinha participação oficialmente.
O MP chegou a tentar notificar Raimunda batendo à porta de uma filha, que não revelou onde estava a mãe. Para saber o seu local de moradia, investigadores rastrearam o celular de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos).
Em dezembro de 2019, Márcia foi ao encontro de Raimunda, junto com o advogado Luis Gustavo Botto Maia. A ideia era fazer um plano de fuga para a família Queiroz. "Não tenho nada para dizer. Perdi meu menino e não quero mais papo com ninguém", esquivou-se ela ao encontrar a reportagem de Veja.
Alguns vizinhos definem Dona Vera como "arquivo vivo". "A gente tem medo que venha alguém aqui, saia metralhando e acabe sobrando para quem estiver por perto", afirmou um deles.
De acordo com o MP, com base no rastreamento de seu celular, que ela não ia ao emprego. Era "assessora fantasma", o que é negado pela defesa.
Sua defesa sustenta que isso não procede, já que Raimunda sempre trocava de celular por recomendação do filho.
Flávio Bolsonaro e Queiroz
Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia (SP), onde estava escondido em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, então advogado de Flávio - depois ele deixou a defesa do parlamentar. Segundo relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz fez movimentações financeiras atípicas. Foram R$ 7 milhões de 2014 a 2017, apontaram cálculos do órgão.

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;