Na atual guerra, ambos os lados já divulgaram informações falsas sobre os acontecimentos, mas levantamento destaca o exagero da Ucrânia na propagação de fake news para tentar comover a opinião pública. Diversas mentiras já desmascaradas continuam acessíveis em perfis oficiais nas redes sociais sem serem notificadas como 'desinformação'. "Se uma pessoa postou e outra acreditou que é verossímil, o estrago está feito"


Redação Pragmatismo
4-5 minutos


Presidente Zelensky tem contribuído fortemente com a propagação de fake news sobre a guerra. Suas postagens comprovadamente falsas são curtidas e compartilhadas por milhares de pessoas

Um dos principais serviços que desmascaram fake news no mundo, o ‘Snopes’ resolveu questionar o “Fantasma de Kiev”, a história de um aviador ucraniano que se espalhava em mídia social por vídeo, com centenas de milhões de visualizações no Facebook, no YouTube, no Twitter e até no TikTok.

Mas as imagens que viralizaram como verídicas, inclusive através da imprensa internacional, são do Digital Combat Simulator World — um jogo de simulação de aviões de guerra da empresa Eagle Dynamics. A companhia de games precisou se manifestar após veículos de comunicação de renome global venderem a mentira como verdade.


Mesmo com a farsa desmontada, as cenas continuaram viralizando, indo parar numa postagem do próprio governo ucraniano, oficial, no Twitter, e então aconteceu o mais revelador: o Twitter se recusou a derrubá-las ou sequer acrescentar um alerta à publicação governamental.

Ao compartilhar o vídeo, o perfil oficial do governo da Ucrânia dizia: “O que esse ‘craque’ ucraniano produz? MiG-29 das Forças Armadas destrói o ‘sem paralelo’ Su-35 russo”.

Os dias se passaram e o Ministério da Defesa da Ucrânia e até mesmo o próprio presidente Zelensky sustentaram a mentira, alegando que o ‘Fantasma de Kiev’ já havia abatido mais de 6 aeronaves russas.

Ex-diretor do Facebook e acadêmico em Stanford, Alex Stamos disse ao The New York Times que as empresas de mídia social “simplesmente tomaram partido”. “Isso deixa bastante evasiva a verdade por trás de algumas narrativas de guerra, mesmo que as contas oficiais e os meios de comunicação compartilhem.”

A mentira como arma de guerra

“Uma das principais características da guerra é a importância da opinião pública. Uma vez que o país dito mais fraco não teria como vencer o poderio militar do inimigo, a opinião popular torna-se o principal alvo”, afirma Maria Eduarda Dourado, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estadual da Paraíba.

Além do ‘Fantasma de Kiev’, o governo ucraniano se esforçou para espalhar outras mentiras, como a do risco de um incêndio na usina de Zaporíjia ser pior que o acidente de Tchernóbil — informação desmentida por cientistas — e a ameaça de destruição do monumento de Babi Yar — desmentido pela direção da própria entidade.

Outra mentira que também gerou forte impacto na comunidade internacional foi a dos soldados ucranianos que teriam morrido na Ilha das Serpentes após supostamente não quererem se render aos russos. A impossibilidade de sustentação da mentira fez com que o governo ucraniano admitisse, dias depois, que os soldados estavam vivos e bem, como demonstrou reportagem do Pragmatismo.

“Em todos os casos, a desinformação é usada para tentar atrapalhar o adversário e comover o público — seja para aumentar o moral nacional ou sensibilizar o mundo em seu favor”, explica Mariana Kalil, professora da Escola Superior de Guerra. “Não importa se há a intenção ou não de mentir. Se uma pessoa postou e outra acreditou que é verossímil, o estrago está feito”, acrescenta.

 

 pragmatismopolitico.com.br

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