Interrupção pelo oleoduto Druzhba, que passa pela Rússia, gera incerteza sobre o abastecimento na Alemanha
Vista da refinaria na estação receptora do oleoduto Druzhba
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, confirmou, na última quarta-feira (22), que Moscou pretende bloquear o trânsito do petróleo que vem do Cazaquistão para a Alemanha por meio do oleoduto Druzhba a partir de 1º de maio.
A informação sobre a interrupção do trânsito do petróleo foi anteriormente divulgada pelas autoridades cazaques e alemãs. De acordo com Novak, a medida foi tomada devido “às atuais capacidades técnicas”, sem especificar o que seriam estes detalhes técnicos.
“A partir de 1º de maio, o volume de petróleo cazaque que era anteriormente enviado para a Alemanha pelo oleoduto Druzhba será de fato desviado para outras rotas logísticas disponíveis”, disse ele.
O ministro da Energia do Cazaquistão, Yerlan Akkenzhenov, já havia afirmado que o bombeamento de petróleo cazaque por Druzhba cessaria a partir de 1º de maio. Ele alegou que isso se deve a problemas técnicos possivelmente causados por ataques no contexto do conflito com a Ucrânia.
“O lado russo, novamente segundo fontes não oficiais, alega não ter capacidade técnica para bombear petróleo cazaque [pelo oleoduto Druzhba para a Alemanha]. Isso provavelmente se deve aos recentes ataques à infraestrutura russa. Essa é a minha suposição”, disse Akkenzhenov.
Do lado alemão, a Agência Federal de Redes (FNA) confirmou a interrupção das entregas pelo oleoduto Druzhba para a refinaria PCK Schwedt.
O Druzhba é operado, na Rússia, pela empresa Transneft. Ao passar por Belarus, ele se divide em um ramal sul (que atravessa a Ucrânia até a Hungria) e um ramal norte (que atravessa a Polônia e a Alemanha).
A interrupção do trânsito do petróleo que vem do Cazaquistão gera uma incerteza sobre o abastecimento na Alemanha, considerando a instabilidade gerada pelo conflito entre os EUA e Irã, que vem interrompendo o fluxo de fornecimento no Oriente Médio.
Segundo o governo do Cazaquistão, 2,1 milhões de toneladas de petróleo do oleoduto Druzhba foram fornecidas à Alemanha em 2025, com a previsão de 2,5 milhões de toneladas para 2026. Segundo o escritório de estatísticas da União Europeia Eurostat, em 2025, o Cazaquistão dividia a posição de segundo maior fornecedor (13%) com a Noruega, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (15%), enquanto a Alemanha era o quarto maior produtor de combustíveis (1,6 milhão de toneladas) e o maior produtor de derivados de petróleo para a UE.
Ainda segundo o Eurostat, o Cazaquistão se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo para a UE em 2025, com 55,8 milhões de toneladas. A participação da Rússia caiu de 25,8% em 2021 para 2,2% em 2025 em decorrência da guerra da Ucrânia.
O vice-primeiro-ministro russo acrescentou que as negociações relevantes com o lado cazaque ocorreram na semana passada. “Os alemães recusaram o petróleo russo, o que significa que está tudo bem para eles”, concluiu Alexander Novak.
Publicado originalmente por: Brasil de Fato
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