Moradores repudiaram presença na cidade de dirigentes dos partidos neofranquistas Vox e Núcleo Nacional; vídeo mostra influenciador extremista correndo da multidão

População de Ceuta expressa rechaço a presença de grupos de extrema direita na cidade
Reprodução vídeo
Partidos, grupos e influenciadores de extrema direita da Espanha tentaram se aproveitar da crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte do Marrocos, em diferentes iniciativas durante o fim de semana, mas acabaram se enfrentando com reações espontâneas de rechaço da população local contra a presença dessas figuras.
No sábado (01/08), o grupo extremista Núcleo Nacional, que defende discurso de ódio a imigrantes e saudista da ditadura espanhola de Francisco Franco (1939-1975), tentou realizar uma manifestação na cidade para criticar as medidas usadas pelo governo espanhol para conter a grande onda migratória registrada na última quinta-feira (30/07), quando mais de 50 mil marroquinos cruzaram a fronteira ilegalmente.
No entanto, a população local realizou uma manifestação ainda maior, organizada por organizações de moradores e reunida a partir da consignas como “Ceuta unida, não dividida” e “o povo de Ceuta se defende”, e também dirigiu gritos de protestos contra os extremistas, como “Núcleo Nacional, não volte mais aqui” – a situação não derivou em um enfrentamento porque a polícia local protegeu o grupo de ultradireita, que estava em menor número.
Além do Núcleo Nacional, também esteve presente na cidade o influenciador extremista Vito Quiles, membro do grupo anti imigração “Acabou a Festa” (versão curta do slogan “acabou a festa para os imigrantes”).
A tentativa do ativista digital de gravar um vídeo em meio à manifestação da população foi repudiada por alguns manifestantes, que o intimidaram e fizeram com que ele e sua equipe de vídeo saísse correndo do centro da cidade.
Dois dos gritos escutados durante os protestos da população de Ceuta foram críticas claras aos grupos extremistas que vieram de fora: “agitadores, vocês são uns covardes” e “vocês querem se aproveitar semeando ódio’.
Vox também repudiado
No domingo (02/08) foi a vez de representantes do partido neofranquista e anti imigração Vox realizar suas tentativas de usar o caso de Ceuta politicamente, mas também sem sucesso.
Pela manhã, o grupo Revolta, conhecido por ser uma organização de jovens estudantes ligada ao Vox, tentou realizar uma marcha com faixar em inglês, e recebeu o mesmo rechaço dado ao grupo Núcleo Nacional – e terminou se salvando das hostilidades da mesma forma, graças à escolta da polícia local.
O último a aparecer em Ceuta, durante a tarde de domingo foi o líder do Vox, Santiago Abascal, que evitou o rechaço popular com uma passagem na qual não realizou aparições públicas, apenas deu entrevistas a meios de comunicação em locais protegidos.
As autoridades da Espanha confirmaram no mesmo domingo que mais de 48 mil imigrantes – entre pouco mais de 50 mil que cruzaram a fronteira – retornaram ao território do Marrocos entre quinta-feira e sábado, a maioria – cerca de 25 mil, segundo as mesmas autoridades – de forma voluntária.
O governo espanhol também informou que as mortes de imigrantes indocumentados que cruzaram a fronteira do Marrocos na semana passada subiram para 72 – até sábado, a cifra estava em 34 falecidos.
Publicado originalmente por: Opera Mundi
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