Deputada estadual e federal eleita critica manutenção dos juros pelo Banco Central e defende mobilização popular para fortalecer a agenda de desenvolvimento econômico e social do próximo governo Lula

Deputada Ana Júlia (PT-PR)

247 – A deputada estadual e deputada federal eleita Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano e a pressão do mercado financeiro para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote uma política econômica alinhada aos interesses do setor.

As declarações foram dadas durante uma plenária promovida pelo PT de Curitiba, na noite desta quarta-feira (4), que reuniu militantes, dirigentes partidários e representantes de movimentos sociais para debater o resultado das eleições e os desafios do próximo governo.

Para Ana Júlia, a vitória de Lula representa a escolha popular por uma agenda de valorização do trabalho, fortalecimento dos serviços públicos e redução das desigualdades, que não deve ser subordinada aos interesses do mercado financeiro.

“Temos que respeitar a agenda que foi eleita pelas ruas. Porque essa agenda não foi a aposta do mercado financeiro, não foi a aposta dos bancos”, declarou.

A deputada também criticou a reação de setores econômicos à reeleição de Lula. Segundo ela, parte do mercado financeiro apostou na vitória de Flávio Bolsonaro e passou a pressionar pela adoção de medidas que não receberam o respaldo das urnas.

Ana Júlia lembrou que a campanha vitoriosa de Lula defendeu a manutenção dos benefícios sociais, a valorização do salário mínimo, a industrialização, o fortalecimento do mercado de trabalho e os investimentos em educação e saúde.

Segundo a deputada, apesar da derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro, setores do mercado financeiro continuam pressionando pela adoção de propostas econômicas associadas à candidatura derrotada.

“Eles estão tentando revivê-la agora pra nos forçar a fazer uma flexibilização pra agenda econômica que eles tentaram eleger com o Flávio e não conseguiram”, afirmou.

Mobilização

Ana Júlia integrou o grupo de jovens parlamentares eleitos que participou da reformulação da estratégia de campanha de Lula no segundo turno. Após uma reunião com o presidente e o vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília, no dia 7 de outubro, essas lideranças se articularam para ampliar a mobilização nas ruas e nas redes sociais, defendendo maior ênfase em propostas relacionadas ao futuro do país e às condições de vida da população.

Na ocasião, Ana Júlia defendeu que a campanha priorizasse temas como industrialização, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida. A atuação dos jovens parlamentares foi posteriormente reconhecida pelo governo como um dos fatores importantes para a virada eleitoral de Lula.

Durante a plenária em Curitiba, a parlamentar defendeu a continuidade dessa mobilização popular, como forma de fortalecer o próximo governo Lula e contribuir para o avanço de uma agenda de desenvolvimento econômico, valorização do trabalho e ampliação dos direitos sociais.

Na avaliação de Ana Júlia, a vitória eleitoral precisa ser acompanhada de organização política e participação da sociedade nas decisões do governo. Ela defendeu que os movimentos sociais, a militância e os partidos da base governista mantenham sua atuação em torno das propostas aprovadas nas urnas.

A deputada também propôs ampliar os mecanismos de participação popular previstos na Constituição, como plebiscitos, referendos e iniciativas populares, para que a população participe diretamente das decisões sobre os rumos do país. “Precisamos de uma política na nossa sociedade que as pessoas estejam empolgadas. Então que a gente fortaleça os mecanismos que a Constituição nos dá. Que a gente faça referendo, plebiscito, iniciativa popular, mas que a gente bote o povo pra decidir os seus rumos”, defendeu.

 Publicado originalmente por: Brasil 247

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