UM CHEIRO DE QUEIMADO NO AR
O 'cérebro' da campanha de José Serra,ou seja, o grupo que vai pensar o programa de governo do candidato --que ainda não tem um -- encontra-se instalado no antigo edifício Joelma, em SP. O prédio foi cenário de um dos mais devastadores incendios ocorridos na cidade, nos anos 70, quando morreram 188 pessoas.
Muitas das vítimas preferiram se atirar do alto da construção a suportar o avanço das labaredas que tudo devoravam. A origem do incêndio que hoje agita as fileiras demotucanas chama-se José Serra, cujo autoritarismo associado à hesitação e ao isolamento levou caciques do DEMO e do PSDB a decretarem uma intervenção branca na campanha, criando um Conselho Superior para enquadrar o presidenciável. Integrado entre outros por FHC, o impoluto Roberto Jefferson, Aécio e Rodrigo Maia, caberá a esse núcleo arbitrar a escolha do vice, que os DEMOS cobram como prerrogativa para permenecerem na coalizão e Serra resiste por vislumbrar no abraço explícito do ex-PFL a pá de cal em sua candidatura. Aspas para o reportagem do jornal Valor do dia 14 , que detalha a crise nos bastidores que precipiou essa decisão: 'A falta de empolgação na convenção reflete a sensação que toma conta dos aliados. Há queixa da centralização da campanha por Serra. Ninguém conhece a estratégia da candidatura ou as diretrizes do programa de governo. A agenda do candidato é um mistério. As decisões são tomadas por ele às vezes na última hora. Não há interlocutores com autoridade para tomar decisões em nome dele. Na avaliação da tropa, a campanha está repetindo erros que levaram à derrota de Serra em 2002 e de Alckmin em 2006...' A escolha do edifício Joelma para sediar o 'cérebro' da campanha é a metáfora perfeita da coalizão conservadora que pretende derrotar Lula e Dilma.
(Carta Maior, 17-06)
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