Sakineh Mohammadi Ashtiani - Reprodução
Reproduzido de O GloboRIO - O filho da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, disse ao jornal britânico "Guardian" que o governo do Irã deu sinais de que poderá rever o caso de sua mãe após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferecer asilo a ela . Sajad contou ter recebido uma ligação de autoridades iranianas, segundo as quais o caso de Sakineh seria resolvido esta semana. A reportagem destaca ainda que os comentários de Lula, no sábado, levaram a imprensa iraniana a informar pela primeira vez sobre a sentença de apedrejamento contra a mulher, condenada por adultério.

- O tom deles foi mais educado do que antes. Depois dos comentários do presidente Lula, pela primeira vez agências no Irã noticiaram o caso de apedrejamento da minha mãe, o que mostra o quanto o Brasil é importante para o Irã - disse Sajad ao "Guardian". - Eu não acho que o Irã pode ignorar o Brasil como ignora facilmente outros países.
Uma fonte próxima da família disse que o advogado de Sakineh, Houtan Kian, foi chamado a comparecer a uma corte na quarta-feira e o caso poderá ser resolvido no mesmo dia. O filho dela disse que é muito importante que o Brasil tenha oferecido um asilo para sua mãe.
A proposta foi citada por Lula durante um ato de campanha da candidata petista à Presidência, Dilma Roussff, em Curitiba. O presidente não deu detalhes. Para o Guardian, Lula pode ter feito a proposta motivado por sua suposta pretensão de ser eleito secretário-geral da ONU.
Na semana passada, o chanceler Celso Amorim teria telefonado para autoridades do Irã na semana passada pedindo uma solução para o caso de Sakineh. Para ativistas de direitos humanos, que vem lutando em defesa da iraniana, a proposta feita por Lula pode salvar a vida dela.
- Tenho certeza de que o Irã não estava esperando que o Brasil aderisse à campanha por Sakineh e este movimento sem precedentes (...) vai mudar a maneira como o Irã vê o caso de Sakineh - disse Mina Ahadi, do Comitê Iraniano contra o Apedrejamento, pedindo que o Brasil atue em defesa de outras 12 mulheres condenadas à morte pelo mesmo procedimento.
A iraniana de 43 anos foi considerada culpada, em 2006, por ter tido relação ilícita com dois homens e recebeu 99 chibatadas. A Justiça reviu a pena para "adultério durante o casamento" e condenou-a à morte por apedrejamento.

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