Para Rosental, o que torna a internet e, especialmente, o Twitter um diferencial na campanha eleitoral deste ano, é o fato de o internauta brasileiro ser mais ativo em rede social que o internauta americano.
"As pesquisas mostram isso, mas não sei exatamente a que se deve. Talvez à nossa socialização, ao nosso contato, ao nosso jeito. Um país onde há toda essa atividade, essa grande conversa, não é de se estranhar que a eleição seja dominada pela internet", explicou.
No caso dos EUA, o pesquisador observa que o microblog funcionou como importante meio de mobilização dos correligionários de Obama, especialmente os jovens que em outras eleições não queriam participar. "Com o Twitter e o facebook começaram a se envolver mais com a campanha".
A diferença é que no Brasil hoje, a ferramenta tem sido utilizada para disseminação de informação e tanto por eleitores como por inúmeros candidatos. "O Twitter já está muito mais maduro agora, não como uma rede social, mas como uma rede de informação e os marqueteiros políticos brasileiros perceberam a riqueza de atividade social e estão usando isso muito bem", explicou Rosental.
Ele fez questão de pontuar que o espaço aberto pela rede de computadores tem aspectos positivos e negativos e todos os pontos precisam ser avaliados. "O Twitter e as outras redes proporcionam oportunidades de uma maior participação cidadã. Você sente poder e controle sobre a informação, sabe que a sua voz está sendo escutada. O cidadão comum também pode ser escutado. Há uma cidadania espontânea que vem da cidadania do mundo real e que se potencializa na internet", apontou.
Por outro lado, o diretor do Knight Center for Journalism avalia que liberdade da internet pode ser aproveitada como arma de campanha para infiltrar notícias falsas ou espalhar rumores falsos. Mesmo assim, ele acredita que o internauta convive bem com os mundos paralelos e desenvolverá a perspicácia para se defender.
Rosental disse ainda que, apesar da dinâmica com o Twitter ser nova, muitos pesquisadores internacionais ficaram impressionados já em 2006 com os vídeos feitos por Lula e Alckmin e distribuídos pelo Orkut. "Aquilo já era um sintoma, pois as comunidades na rede social com interesse político já eram significativas em números de eleitores".
No entanto, o professor da Universidade do Texas admite que, por enquanto, sua opinião é mais uma sensação do atual momento já que não fez um estudo científico sobre o caso. "É preciso esperar e ver amadurecer".

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