Reproduzido de: seja dita verdade
O PT deve retomar a trajetória de crescimento de sua bancada na Câmara, interrompida em 2006 por causa do mensalão, e eleger a maior bancada dos deputados na eleição de 3 de outubro, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) concluído ontem. De acordo com a pesquisa, o Partido dos Trabalhadores deve eleger o mínimo de 85 e o máximo de 110 deputados. A previsão para o PMDB situa no intervalo entre 70 e 100 deputados.
A eleição da bancada majoritária, se for confirmada, assegura ao PT a eleição do futuro presidente da Câmara dos Deputados. O nome cotado é o do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

No Senado, a expectativa é que o PMDB vá eleger a maior bancada e indicar o próximo presidente, que pode ser José Sarney (PMDB-AP) – é permitida a reeleição nas mudanças de uma legislatura para outra (a cada quatro anos). Os pemedebistas tinham como projeto eleger o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a presidência da Câmara.
O Diap prevê que a bancada do PT não apenas será a maior, como também mais coesa. É o que indica o perfil dos deputados que devem ser eleitos, muitos com passagens por governos municipais e estaduais. A Lei da Fidelidade Partidária também deve se tornar num instrumento de persuasão da direção partidária em eventuais divergências – o PT não hesitou em pedir na Justiça o mandato do deputado Paulo Rubem Santiago, que trocou o partido pelo PDT (não levou porque Santiago convenceu a Justiça Eleitoral de que se tratava de um caso de conflito de consciência).
Majoritário na Câmara e talvez com a segunda maior bancada do Senado, o PT será um partido estratégico no próximo Congresso, “seja para a sustentação de um eventual governo Dilma Rousseff, como parece mais provável, seja na liderança da oposição, se o tucano José Serra vencer a eleição presidencial”, diz Antônio Augusto Queiroz, diretor de documentação do Diap.
A oposição sairá enfraquecida das próximas eleições, segundo as projeções do Diap. O PSDB, que em 2006 elegeu 66 deputados e atualmente conta com uma bancada de 59, está em situação melhor que o Democratas e deve eleger um mínimo de 55 e um máximo de 70 deputados. O DEM, que na eleição passada elegeu 65 e atualmente está com 56 deputados, deve eleger um mínimo de 38 e o máximo de 53 deputados, segundo o Diap.
“A metodologia adotada, com intervalo entre um número mínimo e máximo de vagas por partido, decorre, entre outros, de dois aspectos: as coligações e o quociente eleitoral, que pode alterar significativamente o desempenho eleitoral das bancadas”, explicou Antônio Augusto Queiroz. “Os partidos coligados podem ganhar ou perder vagas para seus parceiros e a exigência de quociente eleitoral pode deixar fora da Câmara candidatos com excelente desempenho mas o partido não ultrapassou a cláusula de barreira”.
Caso se confirmem as previsões do Diap, o PT recupera sua trajetória de crescimento, a cada eleição, interrompida em 2006, na esteira do escândalo do mensalão. Em 1998, o partido elegeu 59 deputados federais; em 2002, a onda vermelha levou 91 deputados para a Camara e, em 2006, o PT elegeu 83 deputados federais, contra 89 do PMDB. O desempenho do PT, na atual campanha, é atribuído a alguns fatores: o partido tem recursos financeiros, máquina pública, cresceu nas últimas eleições municipais, é o partido mais popular (25% do eleitorado, segundo pesquisas) e fez bastante coligações, que evitava, sobretudo antes de conquistar o Palácio do Planalto.
A pesquisa do Diap não descarta a hipótese de o PMDB fazer a maior bancada na Câmara, mas se isso ocorrer será por uma diferença mínima. Na campanha de Dilma o cálculo é que o PT deve crescer nos grandes centros eleitorais, como São Paulo, e o PMDB até diminuir em colégios seus tradicionais como o Rio de Janeiro, onde o partido deve sofrer um baque com a perda de Anthony Garotinho para o PR.

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