Estadão assume, com mais de 20 anos de atraso, que Lula é seu adversário - do "O Reconcavo"
Blogueiros progressistas causam reação na rede neural do Estadão.
Blogueiros progressistas causam reação na rede neural
 do Estadão.

O Estadão é tucano, a gente já sabia. Agora, em Editorial e na beirada das eleições, o jornal assumiu publicamente que o presidente Lula é seu adversário. Mais de 20 anos separam este momento do engajamento do Estadão na campanha de Collor, quando Mário Amato alardeava no Estadão a fuga de milhares de empresários, caso o analfabeto chegasse à presidência. A história registra: o Estadão já tinha tomado partido em 1989. Em verdade, desde sempre.


Que ninguém acuse o Estadão de não ter se engajado na campanha de seu candidato, José Serra. A data da declaração de apoio aos tucanos não reflete o envolvimento do jornal na campanha, muito anterior.

O Estadão, entretanto, acertou ao declarar, ainda que tardiamente, a sua opção política. Além de legítima, a declaração pública desta opção, como ocorre em outros lugares do mundo, é fundamental para que os leitores possam separar a opinião política da notícia. Carta Capital fez isso, em pioneirismo salutar para a democracia brasileira. Mino Carta, novamente, deixa sua competente marca.

O que ocorreu agora, que faltou nestes 20 anos (e desde sempre), para obrigar o Estadão a assumir sua opção política de forma tão contundente, em um período democrático

Eu me arriscaria a dizer que a coisa está na perda do controle do processo político e da hegemonia da comunicação.

A primeira, edificada durante oitos anos de um governo de esquerda com sólida aprovação popular e inequívoca pujança econômica. A direita encolheu.

Por conta deste encolhimento, a imprensa substituiu a política e “jogou no próprio colo a responsabilidade pela derrota de Serra”, como lembrou o jornalista Luis Nassif. Com isso, a imprensa brasileira, que se julga para além das críticas dos mortais, ouviu do presidente que era o que sempre foi: golpista. E reagiu com vigor à manifestação em defesa da ampla liberdade de imprensa e da democracia. O PIG tremeu.

Ocorre que, com a popularização da internet, a blogosfera ocupou um espaço que rivaliza com o PIG. Foi da blogosfera que veio a reação ao golpe e a campanha sistemática contra Lula e Dilma Rousseff.

O Estadão assumiu agora a sua posição porque a blogosfera torna a sua ocultação inócua. Eles podem dizer que não apóiam Serra, mas a internet prova que este apoio existe e que ele se dá de forma deletéria, escamoteado no meio das matérias.

Melhor para a imprensa que seja assim, de forma declarada e fora da notícia. A rede neural dos eleitores agradece.

Por Charles Carmo
"

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads