Nara Alves, iG São Paulo
Tucano é cogitado para a prefeitura, cargo no governo Alckmin ou estudos no exterior
Foto: AE
A partir desta próxima segunda-feira, José Serra acordará como ex-candidato, ex-ministro, ex-governador, ex-senador, ex-prefeito, ex-secretário, ex-deputado federal, ex-presidente do PSDB. A surpreendente ida ao segundo turno pode ter lhe dado algum fôlego, mas agora, derrotado, Serra deve decidir que passos tomar para reerguer-se politicamente. As especulações sobre seu futuro são muitas, mas poucas das opções colocadas seriam inéditas na vida do tucano.
Uma hipótese é de que Serra dispute as eleições de 2012 como candidato à Prefeitura de São Paulo. Neste caso, haverá uma disputa interna com os tucanos Walter Feldman, enfraquecido com a derrota nas urnas, e o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, que deve ser mantido no governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin. Além dos tucanos postulantes à vaga, entra no páreo pela Prefeitura o futuro vice-governador do Estado, Guilherme Afif Domingos, do DEM, caso a aliança seja mantida até lá. De 2004 a 2006, Serra foi prefeito da capital paulista, mas saiu do cargo para disputar o governo, quebrando uma promessa registrada em cartório feita durante a campanha de que concluiria o mandato.
Até 2012, Serra poderia ocupar uma pasta no governo Alckmin. Se isso ocorrer, seria uma repetição do que houve em 2006, quando Alckmin perdeu a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva enquanto Serra vencia a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes no primeiro turno. Em 2009, Alckmin aceitou ser secretário de Desenvolvimento de Serra e ficou no cargo até se candidatar ao governo.
Outra opção seria deixar o País por algum tempo para estudar ou dar aulas no Chile, onde foi exilado, ou nos Estados Unidos, onde morou ainda no exílio. A estratégia foi usada por Alckmin, que virou aluno na Universidade de Harvard, também nos Estados Unidos. Se não quiser sair do Brasil, Serra poderia voltar a dar aulas na Unicamp, em Campinas, no interior de São Paulo, onde é professor licenciado de Economia.
Se Serra quiser contribuir para a reestruturação da oposição e do PSDB, ele tem ao menos duas alternativas. A primeira seria ser conduzido novamente à presidência do partido, como ocorreu em 2003, depois de perder a eleição presidencial para Lula. A segunda seria disputar as eleições de 2012 como candidato a vereador. Com isso, ele poderia incentivar a formação de novas lideranças da oposição no Estado e fortalecer a base do partido para as próximas gerações.
Ao longo da campanha, sempre que perguntado sobre seu futuro caso perdesse a disputa, Serra respondia que não havia a menor possibilidade de ele não ser presidente. Portanto, resta saber se ele seguirá por uma trilha politicamente menos ambiciosa, ou se adotará um caminho rumo a uma nova tentativa de chegar ao Palácio do Planalto em 2014, quando estará com 72 anos.
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