Em busca dos culpados pela derrota nas urnas, lideranças do PSDB se engalfinham em briga interna para decidir quem dará as cartas no partido
Alan RodriguesOPINIÃO
Aécio e Serra divergem mais uma
vez sobre o futuro do PSDB
Passada uma semana das eleições presidenciais, o PSDB ainda sente os efeitos da ressaca da derrota. Atolado em dívidas que ultrapassam os R$ 20 milhões, o partido, em vez de juntar os cacos, afinar o discurso e marchar unido em oposição ao governo petista, mergulha numa crise interna resultante das feridas abertas durante a campanha. Nos últimos dias, os tucanos divergiram publicamente sobre temas que envolvem desde o relacionamento com o futuro governo Dilma Rousseff até o melhor momento para a escolha do candidato do PSDB à Presidência em 2014. A raiz da cizânia, porém, é a definição do tucano que personificará a cara da oposição daqui em diante. Para o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra, ele, do alto de seus mais de 42 milhões de votos, está mais do que credenciado para exercer esse papel. Mas para quem tem este objetivo, os serristas começaram mal. Logo após a contagem dos votos, Xico Graziano, integrante destacado da campanha de Serra, colocou em seu Twitter: “Perdemos feio em Minas. De quem será a culpa?” A insinuação contra o ex-governador Aécio Neves alvoroçou os tucanos mineiros. Eles passaram a atribuir toda a responsabilidade pelo resultado à atuação desastrosa do candidato Serra.
Logo apareceram também claramente as divergências quanto ao estilo da oposição. Tucanos como o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador eleito Aécio Neves defendem uma renovação nos postos de liderança nos próximos anos, além da adoção de uma linha de oposição mais propositiva. “Faremos oposição responsável e generosa a Dilma”, disse Aécio na quinta-feira 4. Para os tucanos com menos de 60 anos, o único dirigente da legenda capaz de estruturar uma frente de resistência ao governo do PT e dar uma cara nova à oposição é Aécio Neves.
Para conturbar ainda mais a legenda, na última semana, dirigentes tucanos foram surpreendidos com a notícia de que Serra trabalha nos bastidores para ser o novo presidente nacional do partido. Para Serra, seria a chance de fugir de um possível ostracismo político previsto para os próximos anos quando estará sem mandato eletivo. Mas a ambição de Serra é tida internamente como uma tarefa mais difícil do que vencer uma eleição presidencial. Os tucanos não confirmam, mas nove em cada dez representantes do partido preferem ver o perfil centralizador de Serra longe da direção partidária. “Não é preciso trocar o comando. O primeiro passo é saber onde estamos errando”, avalia Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB em Minas Gerais.
Outra polêmica que serviu para alimentar o racha interno foi levantada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista, ele defendeu a antecipação da escolha do candidato do PSDB ao Planalto de 2014 para 2012. “Falar agora de estratégia para daqui a quatro anos é totalmente descabido”, disse o deputado federal Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA), aliado de Serra, para quem a decisão só beneficiaria Aécio. Alckmin e o governador eleito do Paraná, Beto Richa, também consideraram a discussão prematura. “FHC é nosso grande líder. Sempre deve ser ouvido. Mas há tempo para se discutir”, disse Alckmin. O único a concordar com FHC foi o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. “Na minha opinião, devemos ir para a eleição municipal já com candidato à Presidência”, diz ele.
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