Brasil de Fato - 03/11/2010

Alipio Freire
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Ser derrotado nas urnas numa eleição, não é tudo. mais grave é passar para a história como um fascista. Sim, lamentamos, mas é exatamente isto o que ocorrerá com o candidato derrotado José Serra.

Se os rumos que pretendeu imprimir à disputa eleitoral não são suficientes para que nos mantenhamos d/espertos, a eloquência das alianças forjadas para além dos partidos institucionais (DEM e PPS) e da grande mídia comercial falam por si.


Como é público, o candidato derrotado esteve reunido com representantes e militantes do grupo paramilitar fascista Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e da organização ultra-direitista Tradição Família e Propriedade (TFP). Ambos participaram da conspiração e do golpe de 1964, e foram dos mais ferozes defensores da ditadura, opondo-se até o final, a qualquer abertura.

Na documentação da gráfica do Cambuci, em São Paulo (SP), onde foram descobertos milhões de panfletos que tentavam desmoralizar e criminalizar a então ainda candidata Dilma Rousseff, está clara toda a ligação do candidato derrotado com membros do Partido Integralista, Monarquistas e a ultradireita católica.

Pesquisa realizada pelo jornalista Tony Chastinet e publicada por Rodrigo Vianna com o título “Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas” em seu blog, deixa clara a promiscuidade entre o candidato derrotado e os neonazistas.

Quando tudo isto tem ainda, como pano de fundo, os discursos dirigidos pelo candidato derrotado ao Clube Militar e ao Clube do Pijama, aludindo a uma “república sindical” e outros jargões que antecederam ao golpe de 1964; as manifestações dos membros desses dois clubes; e as declarações feitas nos EUA pelo doutor Nelson Jobim de que poderia ser ministro da Defesa de qualquer dos dois candidatos... é como se houvesse algo de podre na Dinamarca. De quem já fraudou uma Constituição; derrubou um avião matando cerca de 200 pessoas para se tornar ministro da Defesa; que já tentou um golpe contra o Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, esperamos tudo, menos que tenha viajado para os EUA para praticar esportes de outono...

De um candidato que se alia a toda essa escória, podemos esperar sempre o pior.

Fiquemos atentos: o candidato derrotado pode estar “cavando” um “terceiro turno”.

*Alipio Freire é jornalista, escritor e membro do conselho editorial do Brasil de Fato
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