DE CELSO LUNGARETTI
democracia e inquisidores como o que
F. Murray Abraham interpretou
em 'O Nome da Rosa'.
Protógenes Queiroz foi um dos candidatos que o palhaço Tiririca, com sua enorme votação, rebocou para a Câmara Federal.
Não gosto do Protógenes, de suas lambanças, de sua troca de favores com a Globo e de sua súplica a Barack Obama, no sentido de que interviesse contra o governo brasileiro, imiscuindo-se em nossos problemas internos.
Também não gosto do Tiririca, com seu humor primário e grosseiro.
Mesmo assim, porque prezo os princípios acima de tudo, faço questão de deixar registrado que considerei exageradíssima a pena de três anos e 11 meses de prisão, implicando também perda do mandato de deputado e do cargo de delegado, a que Protógenes foi condenado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, por vazar informações e fraudar provas da Operação Satiagraha.
A batalha jurídica apenas começou, claro, mas o rigor da sentença contrasta de forma chocante com a quase totalidade das decisões em feitos que envolvem figuras notórias, mesmo as tão discutíveis como Daniel Dantas. Minha impressão de leigo foi a de que se aplicou o conhecido critério de dois pesos e duas medidas.
Quanto ao Tiririca, o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes lhe impôs um humilhante teste de alfabetização e, como o resultado não foi aquele com que sonhava, lança dúvidas sobre sua correção, promete entrar com mandado de segurança para exigir novo teste, diz que vai recorrer no caso de absolvição, etc., etc.
Se ele falou mesmo tudo que lhe atribui a notícia da Folha.com Promotor quer que Tiririca faça novo teste para comprovar alfabetização, não vejo como, numa democracia, ele possa ser mantido à testa do caso.
Pois sua missão seria a de contribuir para que se fizesse justiça, não a de ser todo acusação e só acusação, reagindo irada e intempestivamente contra qualquer ocorrência que possa beneficiar a vítima de sua gritante perseguição.
É como ele está procedendo em relação ao Tiririca: tendencioso, furibundo e descontrolado.
Seu imediato afastamento é imperativo, em nome da isenção, do equilíbrio e da serenidade com que deve ser exercida a função de promotor.
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