do ELEIÇÕES NA REDE 
A escolha de Dilma Rousseff como primeira mulher presidente do Brasil pode ajudar a enterrar o preconceito de gênero na política, conforme acreditam alguns especialistas. Porém, há um outro tipo de preconceito que foi reanimado logo após o final das eleições: Foi o preconceito entre as regiões brasileiras. Pelo menos este foi o sentimento que se percebeu nas redes sociais, logo após que o resultado foi divulgado pelo TSE.
A polêmica



A vitória de Dilma foi garantida pelos votos das regiões Norte e Nordeste. Por conta disso, alguns internautas, principalmente pelo Twitter, passaram a creditar a vitória de Dilma à votação nessas regiões.
O principal sintoma da polêmica em torno dos votos da região Norte e Nordeste foi a hashtag #nordestisto, que ganhou os Trending Topics do Twitter e ficou no topo da lista de assuntos mais comentados durante toda a manhã desta segunda (1). Entre os assuntos também estavam as expressões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste.
Ao que tudo indica, a expressão “nordestisto” veio de uma mensagem de um usuário postada no Twitter que incitava a violência às pessoas que nasceram no Nordeste e que se mudaram para São Paulo. No tweet, estava escrito: “Nordestisto (sic) não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado!“,
A mensagem viralizou na rede, mas a conta desapareceu na manhã do dia seguinte às eleições. Muitas pessoas, revoltadas com o teor do tweet, registraram a mensagem e passaram a denunciá-la como preconceito.
Nas imagens reproduzidas abaixo, estão encobertos os perfis que repercutiram o tweet preconceituoso e aquele que deu origem ao caso. Este último, inclusive, já não está mais acessível aos internautas, como explicamos a seguir. Os perfis que aparecem nas páginas são aqueles de tuiteiros que protestaram ou reagiram às mensagem que incitavam ao ódio.

No tweet printado e veiculado através do TwitPic, o usuário chama
nordestino de "nordestisto", palavra que ganhou os Trending Topics
E não foi apenas um usuário que captou a mensagem. Encontramos cerca de três perfis na ferramenta TwitPic, que troca fotos pelo Twitter, que continham a imagem de tela com o tweet acima. De acordo com o TwitPic, as fotos chegavam a acumular mais de 11 mil visualizações cada.
Na metade da manhã desta segunda, a conta do autor da mensagem aparecia como “inexistente” no Twitter. Perfis do mesmo usuário em outras redes sociais também foram apagados ou bloqueados para acessos de pessoas que não fizessem parte de sua rede direta de amigos.
Em um post neste blog, que captou as mensagens do usuário deixadas em várias redes sociais, pode-se constatar o contexto da hashtag com o resultado das eleições.
No coro do preconceito
Esta não estava sozinha no coro da agressão à região Nordeste. Conseguimos captar várias mensagens com teor agressivo. Há tanto tweets com a hashtag #nordestisto quanto mensagens relacionadas diretamente aos nordestinos:
Reação imediata
Um dos motivos que manteve a hashtag nos Trending Topics foi justamente a reação de tuiteiros ao preconceito ao voto do povo daquela região. Entre os tweets, muitos nordestinos manifestaram “orgulho” e lamentaram o “ódio destilado” das agressões.
A manifestação de apoio não foi só de nordestinos. Tuiteiros do Sul do Brasil também se solidarizaram ao momento.
O gráfico abaixo mostra que a grande discussão em torno da hashtag, tanto de comentários raivosos quanto de reação e acusação de preconceito, ocorreram na madrugada do dia 1º de novembro, logo após a eleição.
No início da tarde desta segunda (1), o perfil da Rede Mobiliza, ligada à campanha tucana, manifestou-se a respeito deste buzz no Twitter:
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Filipe Speck, Giane Laurentino e Ivan Guevara

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