LONDRES - Defensores do WikiLeaks se voltaram contra supostos inimigos do site e de seu fundador, Julian Assange, preso ontem na Inglaterra, lançando ataques de hackers contra a MasterCard, procuradores suecos, um advogado sueco e um grupo suíço que congelou a conta bancária de Assange.
Os chamados “hacktivistas” atuaram sob a marca "Operação Payback" reivindicando a autoria das invasões em uma mensagem no Twitter com o objetivo causar problemas tecnológicos para a MasterCard, que cancelou sua parceria com o WikiLeaks na terça-feira.
A MasterCard disse que estava "enfrentando o tráfego pesado", mas o porta-voz James Issokson disse à Associated Press que a empresa não confirmou se o WikiLeaks estava envolvido.
Issokson disse que a MasterCard estava tentando restaurar o serviço quarta-feira mas não tinha certeza de quanto tempo isso levaria. Segundo ele, os problemas técnicos do site não têm nenhum impacto sobre os consumidores que utilizam cartões de crédito.
A MasterCard é a última de uma série de empresas de internet norte-americanas - incluindo Visa, Amazon.com, PayPal e EveryDNS - a cortar laços com o WikiLeaks nos últimos dias em meio à intensa pressão do governo dos Estados Unidos. A Visa disse hoje que não estava enfrentando problemas.
Os ataques online são parte de uma onda de apoio ao WikiLeaks que está varrendo a internet. O Twitter foi inundado com mensagens de solidariedade ao grupo, enquanto a página do WikiLeaks no Facebook atingiu 1 milhão de fãs.
A organização está sob pressão em muitas frentes. Assange está em uma prisão britânica lutando contra a extradição para a Suécia por conta de um caso de crimes sexuais. Movimentos do Swiss Postfinance, da MasterCard e da PayPal e outros que cortaram maneiras de enviar doações para o grupo têm prejudicado a sua capacidade de levantar dinheiro.
Implacável, o WikiLeaks divulgou mais documentos confidenciais dos Estados Unidos durante a noite.
Per Hellqvist, especialista em segurança da empresa Symantec, disse que uma rede de ativistas online chamada Anonymous parecia estar por trás de muitos dos ataques. O grupo, que já se concentrou anteriormente na Igreja da Cientologia e na indústria da música, está tirando do ar sites hostis ao WikiLeaks.
O site do advogado sueco Claes Borgstrom, que representa as duas mulheres no centro da acusação de crimes sexuais contra Assange, estava inacessível nesta quarta-feira.
O braço financeiro do sistema portal da Suíça, o Postfinance, que bloqueou a conta de Assange na segunda-feira, também apresentava problemas.
Enquanto isso, Assange enfrenta uma nova audiência de extradição em Londres na próxima semana, na qual seus advogados disseram que vão solicitar uma nova fiança. O australiano de 39 anos nega as alegações de duas mulheres na Suécia, de estupro, assédio sexual e coerção ilegal, e está lutando contra sua extradição para a Suécia.
(Associated Press)
(Associated Press)
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