Nara Alves, iG São Paulo
Governador de SP nega revanche e critica imprensa por dizer que pacote repete a crise de 2007 entre 'serristas' e 'alckmistas'
Foto: AE
O PSDB está no poder no Estado de São Paulo há 16 anos, mas pode-se dizer que existe alternância pelo menos no estilo de gestão dos tucanos. Desde que assumiu o governo deixado por José Serra e Alberto Goldman no dia 1º de janeiro, Geraldo Alckmin, acentuou as diferenças entre os estilos 'serrista' e 'alckmista', com um pacote de mudanças e decisões anunciadas logo na primeira semana do novo governo.
Antes mesmo de assumir, Alckmin dava demonstrações de que a renovação na administração do Estado seria grande. Manteve apenas seis dos 26 secretários da gestão anterior. Fechou pastas criadas por Serra e reabriu as que haviam sido fechadas. Até mesmo para o segundo escalão, Alckmin chamou antigos parceiros e deixou que serristas graúdos fossem acomodados pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
Logo na primeira semana, Alckmin determinou o ajuste fiscal e a revisão de todos os contratos da gestão Serra-Goldman. Tirou verba que era usada em comunicação e destinou ao desassoreamento do Rio Tietê. Mandou vender um prédio que Serra reformou e estuda a compra de edifícios para abrigar os funcionários que hoje estão em locais alugados. Pediu aos secretários que dialoguem com os setores de cada área, especialmente sindicatos que fizeram oposição ferrenha a Serra, como a Apeoesp. Mostrou que irá, inclusive, trocar nomes de alguns programas criados por Serra.
Alckmin nega veementemente que seu governo seja de ruptura, e garante que é de continuidade. Em sua posse, não poupou elogios ao presidenciável tucano derrotado por Dilma Rousseff em outubro e ressaltou o “brilho”, a “inteligência”, a “criatividade” e o “compromisso com a ética”, que fizeram de Serra “uma grande liderança nacional”. Em seguida, foi cumprimentar a petista em Brasília.
O governador criticou a imprensa por dizer que as mudanças seriam uma revanche, após os dois terem batido de frente na campanha eleitoral de 2008. Alckmin disputou a prefeitura naquele ano contra Gilberto Kassab (DEM), que se reelegeu com o apoio de Serra nos bastidores.
'A imprensa às vezes coloca ementa onde não deve', respondeu Alckmin, em entrevista à rádio CBN na quinta-feira. E lembrou de todo seu esforço durante o mês de outubro - quando já havia sido eleito no primeiro turno -, na campanha do colega de partido. 'O Serra é nosso companheiro (...) Eu quero falar por mim. Eu me empenhei na campanha eleitoral (presidencial) tanto ou mais que na minha própria campanha. Acho até que o Serra foi bem', disse.
A comparação com o pacote anunciado pelo ex-governador em 2007, no entanto, é feita nos bastidores inclusive pelos próprios tucanos. Quando Serra assumiu o Palácio dos Bandeirantes, herdando a gestão Alckmin, ele também ordenou a reavaliação de todos os contratos e licitações, inaugurando a crise entre serristas e alckmistas. Em 2014, Alckmin, candidato natural à reeleição, poderá ter de enfrentar novamente Kassab, que o derrotou na campanha municipal de 2008 com o apoio de Serra.
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