"Com o golpe de 1964, temas relacionados à política, filosofia e sociologia, foram retirados da mídia e da educação do cidadão brasileiro. Situação grave e que perdura até hoje, apesar de alguns progressos na Internet.
Segundo o ultimo estudo da SECOM 96,4% dos brasileiros se informa pela TV analógica e cerca de apenas 8% tem acesso a banda larga.
As TVs analógicas graças a falta de leis para o setor de comunicação, operam concessões como se aos empresários estas pertencessem (verdadeira caixa preta). Estas concessões que foram outorgadas pelo estado, com contratos por tempo determinado, na realidade e disso o cidadão não sabe, pertencem ao povo brasileiro. Dos empresários só os imóveis, e equipamentos.
E hoje estão por aí os 'novos valores', individualistas, consumistas, a alienação, e um povo que não acredita mais na política como um meio de resolver seus graves problemas. Este artigo muito interessante do Heitor Peixoto traz mais luz a este tema.' Luiz Claudio Souza
Governar é eleger prioridades. Ser cidadão também'Num mundo mais reality e menos show, eleger sabotadores não é tarefa assim tão nova. De tão comum, ficou até banal'
Heitor Peixoto*2 de julho de 2005 (sábado): protesto no centro do Rio de Janeiro é tido como a maior manifestação até então contra a corrupção no governo Lula. Público estimado: 1.500 pessoas.
14 de setembro de 2010 (terça-feira): manifestantes vão às ruas em Dourados, no Mato Grosso do Sul, para protestar contra políticos envolvidos na chamada “farra das propinas”, escândalo de corrupção envolvendo os três poderes do Estado. Público estimado: 600 pessoas.
18 de setembro de 2010 (sábado): centro de Belo Horizonte é palco de manifestação pelo voto consciente. Público estimado: 200 pessoas.
12 de janeiro de 2011 (quarta-feira): no estádio da Gávea, Rio de Janeiro, Ronaldinho Gaúcho é apresentado à torcida depois de negociações com outros dois clubes – Grêmio e Palmeiras – e muita polêmica com o time que o revelou. Público estimado: 20 mil pessoas.
Receber de volta no Brasil um ídolo dos gramados é mesmo uma grande notícia.
Ver de perto a reapresentação do craque, um programa dos mais disputados. Deve ter dado um trabalho do cão fazer parte daquela multidão. Na certa, muitos chegaram até a matar serviço ou inventar qualquer desculpa no serviço para não perder o grande momento: “o banco tava cheio”, “o ônibus demorou”, “o metrô não passou”, “a baía de Guanabara se rompeu” etc, etc.
Tal interesse e mobilização, nós brasileiros só temos demonstrado mesmo nessas situações: em futebol (e olha que nem teve jogo na Gávea), nas acaloradas discussões em final de novela e, claro, nos famosos reality shows.
A propósito, está recomeçando um dos mais vistos no Brasil, que em 2011 traz uma grande novidade. Além de vencedores e perdedores, o público terá uma nova tarefa: a de eleger o sabotador.
Enquanto isso, num mundo mais reality e menos show, eleger sabotadores não é tarefa assim tão nova. De tão comum, ficou até banal, e se torna mais frequente na mesma medida em que nos interessamos mais por ídolos dos gramados, das novelas e da fama instantânea, e menos pelos problemas da nossa esgarçada política brasileira.
*Repórter da TV Assembleia de Minas Gerais . Leia também seus textos no blog Multipolítica
Congresso em Foco

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