Por Stanley Burburinho
Do Terra Magazine
Ana Cláudia Barros
Arrefecida após mais de dois meses, a polêmica provocada pelas declarações da estudante de Direito Mayara Petruso contra nordestinos deve ganhar novo fôlego.
Integrantes do Movimento República de São Paulo (MRSP) encaminharam, na quarta-feira (26), à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), uma espécie de "dossiê", reunindo o que chamam de provas da "discriminação a paulistas".
O material, que contém 60 páginas, foi todo pinçado da internet (boa parte caputrada de redes sociais, como Twitter e Orkut) e apresenta, segundo o ex-líder do movimento e atual coordenador do MRSP no interior, Paulo Roberto Silva "Bartollo", demonstrações de "incitação ao ódio e ao preconceito".
- Queremos apenas que se cumpram os princípios constitucionais da isonomia, segundo os quais todos são iguais em direitos e deveres, sem distinção. Entendemos que todos devem tomar o mesmo remédio - afirma, aludindo à notícia-crime apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Pernambuco (OAB-PE) contra Mayara e outros que divulgaram na internet mensagens de preconceito contra nordestinos.
Bartollo nega que haveria na iniciativa contornos de revanchismo e sustenta - ou tenta - que paulistas, assim como nordestinos, também são alvo de manifestações de ódio.
- A delegacia acolheu todo o material. Algumas das provas que levantamos, algumas comunidades de redes sociais já estavam sendo investigadas pela Decradi. o arquivo de 60 páginas ficou com eles e será anexado aos autos de um inquérito que já está em andamento. A gente quer mostrar o outro lado da moeda. Nós, do movimento, nos prontificamos a ajudar nas apurações, tentando identificar os culpados, inclusive, nos casos de discriminação contra nordestinos. A lei deve ser para todos. Vamos fazer um acompanhamento dos trabalhos da polícia e mostrar pelo Twitter.
Além do material, foi entregue uma petição, pedindo a punição de um comerciante de Diadema, que, durante entrevista à imprensa, declarou dar preferência a nordestinos na hora de contratar funcionários.
Na avaliação de Bartollo, está caracterizada a "discriminação contra cidadãos de outras regiões". Para ele, o comerciante deve responder pelo crime de racismo.
"O caso será encaminhado à delegacia daquela cidade para que o delegado instaure inquérito, se ele achar por bem", afirma, acrescentando que usou a Constituição Federal e as leis 9.459/97 (sobre crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor) e 7.716/89 (Negar ou obstar emprego em empresa privada) para embasar a denúncia.
De acordo com o coordenador do MRSP, junto com o "relatório", foi apresentada uma lista, com cerca de 300 assinaturas de pessoas apoiando a iniciativa.
- Muitas das provas obtivemos graças à colaboração de internautas. O material foi reunido durante um mês e meio - diz, enfatizando que o MRSP já conta com mais de 2 mil simpatizantes 

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads