do BLOG DO LADO B
As chuvas causam estragos e prejuízos à população de Curitiba desde o fim da tarde deste sábado (29). Logo que o temporal começou a desabar, a equipe do Plantão 190 passou a tuitar a movimentação dos bombeiros em socorro às vítimas em vários cantos da cidade: Boqueirão, Uberaba, Cidade Industrial, Sítio Cercado, ao longo de toda a região Sul, e em pontos diversos das localidades centrais também.




Região da ponte sobre o Ribeirão dos Padilhas na extensão
 das ruas Odenir Silveira e Teodomiro Furtado no Xaxim.

Na Vila São Pedro, no Xaxim, no espaço aproximado de 50 metros para cima e outros 50 metros para baixo do Ribeirão dos Padilhas, as famílias perderam tudo, de alimentos e roupas a móveis e eletrodomésticos. “Está tudo debaixo d’água”, informa o vendedor Everaldo Soares Cardoso, de 38 anos, morador da rua Jorge Daniel Cordeiro. Ele critica que nos últimos oito anos as chuvas têm causado prejuízos cada vez maiores aos moradores da região e que a situação se agravou com a construção da Linha Verde, que drenou as águas do entorno para o Ribeirão dos Padilhas e também para o Rio Belém. “Isso aumentou o volume desses rios, bastante assoreados”, informou o vereador Pedro Paulo Costa (PT), que neste momento se desloca de um evento em São José dos Pinhais para acompanhar de perto o drama enfrentado pelas famílias que estão no Xaxim. O vereador estima ainda que entre o Ribeirão dos Padilhas e a rua Omar Raymundo Picheth, mais de cinco mil pessoas estejam passando por dificuldades causadas pelas chuvas. “A situação é dramática”, diz o morador, que informa também que, desde que começaram as obras na Linha Verde, bastam 30 minutos de chuva – hoje, 25 minutos foram suficientes – para alagar e colocar em risco a vida das famílias que residem na região. Antes disso, segundo ele, precisaria chover por uma hora e meia a duas horas seguidas para causar os mesmos danos. “Pessoas que me viram nascer e que nunca tiveram problemas dessa natureza, agora vêm suas casas debaixo d’água. A gente pescava nesse rio quando era criança”, lamenta. A região citada é de um antigo loteamento, quando o Ribeirão dos Padilhas não passava de uma “valetinha”, diz o vereador. “Agora, tudo em volta virou área de risco”, afirma Pedro Paulo.



No Boqueirão, um Celta - placa AMS 1849 - foi
arrastado pelas águas de um rio que transbordou.

Os bombeiros tentam no momento localizar um senhor conhecido como Luiz “Costinha”, com idade aproximada de 60 anos, que teria desaparecido na correnteza do ribeirão, depois de tentar alcançar um chinelo que caiu nas águas. Everaldo Cardoso se queixa que os moradores há anos tentam convencer a Prefeitura de Curitiba a fazer obras de prevenção no local. “O rio está fora do leito, está assoreado e há mais de 15 anos não vemos ação de limpeza pesada, com dragas, sendo realizada aqui por parte da Prefeitura de Curitiba”, reclama o morador, que junto com outras pessoas da comunidade e com lideranças populares já procurou os órgãos municipais, como a Regional da Prefeitura e o Ippuc – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. “As pessoas tendem a pensar que só reclamamos quando estamos diante do problema, mas não é verdade. Nos antecipamos e temos cobrado as autoridades há vários anos”, conclui.

Há poucos dias, em meio à contagem de mortos na região serrana do Rio de Janeiro e de levantamento dos prejuízos por lá, o prefeito Luciano Ducci e autoridades responsáveis pelo tema em Curitiba concederam entrevistas à Agência Brasil e demais veículos da imprensa nacional passando a imagem de que por aqui era um mar de rosas, tudo estava caminhando bem e a cidade seria modelo de prevenção às enchentes e dona de um plano de drenagem exemplar. Essa propaganda toda não corresponde ao que se vê nas ruas após 25 minutos de chuvas fortes na capital do Paraná.

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads