do ESQUERDA.NET
Irlandeses pagam 1280 milhões de euros em juros ao FMI. Montante pago pelos gregos ascende a 1560 milhões. Em três anos, o FMI lucra cerca de 1140 milhões com o plano de resgate dos dois países. Portugal pagaria, no mínimo, 600 milhões em juros.
Mediante as condições estipuladas no Memorando de Entendimento firmado entre a Irlanda e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE), que contempla um plano de resgate até 2014 no valor de 85 mil milhões de euros, e no qual se inclui o esforço de corte orçamental de €6 mil milhões em 2011, os juros cobrados pelo FMI ascendem a 5,7%, enquanto a taxa de juro de base desta linha de crédito cobrada pelo FMI ronda os 3,12%.
Ao todo, os irlandeses terão de pagar uma prestação superior a 1,28 mil milhões em juros pelo empréstimo de 22,5 mil milhões de euros, parcela que cabe ao FMI, sendo que 580,5 milhões assumem a forma de lucros a serem captados por esta instituição.
No que respeita à Grécia, os juros pagos pelo empréstimo de 30 mil milhões do FMI, num total de 110 mil milhões do pacote de ajuda, ascendem a 1,56 mil milhões de euros. A taxa de juro efectiva de 5,2%, também bastante superior à taxa de juro de base, que equivale a 3,33%, irá permitir ao FMI arredar, a título de juros, 561 milhões de euros.
Portugal pagaria ao FMI, no mínimo, 600 milhões em juros
Segundo os cálculos apresentados pelo Diário de Notícias, caso Portugal tenha que recorrer à intervenção do FMI, e assumindo que Portugal necessitaria de um financiamento de 45 mil milhões, e que o FMI entra com 27% desse valor, os contribuintes teriam que pagar mais de 600 milhões em juros, dos quais 240 milhões representariam a margem de lucro do FMI.
Austeridade como contrapartida dos planos de resgate
A par dos juros elevadíssimos pagos pelos contribuintes gregos e irlandeses, os mesmos são confrontados com medidas de austeridade que agudizam a crise económica e social e acrescentam recessão à recessão.
O plano de resgate irlandês, que exige uma redução brutal do défice público de Dublin dos actuais 32% para um limiar próximo dos 3% do PIB, impõe cortes nos apoios sociais, reduções salariais, despedimentos na função pública, aumentos salariais e diminuição da protecção no desemprego, enquanto mantém os impostos às no nível mais baixo da União Europeia e isenta as transacções financeiras.
Na Grécia, as medidas impostas pelo FMI e pela União Europeia, e que implicam, entre outros, cortes salariais, desvalorização da contratação colectiva, privatizações, já se traduziram no aumento exponencial do desemprego e no agravamento das condições de vida da população.
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