O catador de lixo, Sebastião Carlos dos Santos, que teve a oportunidade de viajar para Londres, mantém a esperança quanto a cerimônia de entrega da estatueta

Um dos principais personagens do documentário “Lixo Extraordinário” poderá ficar fora da festa do Oscar. O catador de lixo brasileiro, Sebastião Carlos dos Santos, o Tião, teve seu visto de visitante negado pelo consulado americano.


Indicado ao Oscar de melhor documentário, Lixo Extraordinário, é estrelado pelo catador juntamente com um grupo de trabalhadores que sobrevivem da reciclagem de materiais recolhidos no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias (RJ).

O local inóspito foi a fonte de inspiração para que o artista plástico Vik Muniz pudesse produzir sua arte, que tem como base a montagem de grandes imagens em que pessoas são retratadas através do próprio material encontrado no aterro. Eternizadas em fotografias, os registros são leiloados para colecionadores internacionais por milhares de dólares.

O catador de 32 anos trabalha no aterro desde os 11. Já viajou para Londres com Muniz onde viu seu retrato ser arrematado por 28 mil libras, que equivalem a 45 mil dólares. Com o lucro do leilão comprou uma casa.

Para o reciclador, como prefere ser chamado, muita gente tem preconceito em relação ao trabalho que desenvolve, já que as pessoas veem o lixo como algo insignificante.

Tião, que tornou-se presidente da associação local de catadores, afirma que o documentário mostra que as pessoas que vivem do lixo são batalhadoras, sustentam suas famílias e desenvolvem um trabalho honesto.

O documentário, que já faturou o Festival de Berlim ano passado, custou US$1,5 milhão e foi produzido pela britânica Lucy Walker. Na premiação enfrentará concorrentes de peso, como o filme “Exit Though The Gift Shop”, também focado na arte de rua.

Muniz acredita que, caso ganhem a estatueta, quem deveria recebê-la seria Tião, que no filme tem um papel fundamental, no entanto, a burocracia da imigração norte-americana tem dificultado as coisas. Com o visto de visitante negado, Tião mantém a esperança de que reverter a situação a tempo de ir à cerimônia de premiação que ocorrerá no fim deste mês.

Como CartaCapital já noticiou, o visto americano para trabalhar dificilmente é concedido a pessoas de baixa renda. As pessoas mais simples, além de terem o visto negado, costumam até ser rotuladas internamente como personagens de ficção. São catalogados como “bons”, “maus” ou “feios” pelo consulado.

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