do PORTAL TERRA
A Praça Tahrir, que significa "libertação" em árabe e fica no centro do Cairo, transformou-se há nove dias no símbolo das manifestações contra o presidente egípcio Hosni Mubarak, apesar de seus acessos estarem ocupados por militares. Desde o dia 25 de janeiro, os manifestantes interrompem o intenso tráfego diário desta praça para reivindicar a renúncia de Mubarak, 82 anos, que está há 30 anos no poder, confrontando violentamente a polícia na sexta-feira e no sábado.
Vários edifícios importantes se localizam nesta praça ou perto dela, como é o caso do museu egípcio, que conserva riquezas inestimáveis da era dos Faraós, e do antigo Ministério das Relações Exteriores. Nos últimos dias, o exército se posicionou ao redor de Tahrir para controlar os acessos, fechando várias ruas e colocando vários tanques, conseguindo que as manifestações não saíssem deste local e sem utilizar a força para impedi-los.
Os militares gozavam de uma boa imagem entre os manifestantes que gritavam com frequência "Povo, Exército, de mãos dadas". Ontem, meio milhão de egípcios se concentraram na praça, em clima às vezes festivo, com a presença de várias famílias que levavam seus filhos, reunindo as diferentes comunidades do país. Em Tahrir, era possível encontrar muçulmanos junto de cristãos e leigos.
Quando o presidente anunciou à noite que não se candidataria às próximas eleições, milhares de pessoas começaram a pedir sua renúncia imediata. "Mubarak sai, nós ficamos", entoavam. Nesta quarta-feira, milhares de pessoas permaneceram na praça, entre elas várias que passaram a noite fria acampadas, improvisando fogueiras para se esquentar.
No início da tarde, milhares de partidários de Mubarak irromperam na praça por um dos únicos acessos abertos, controlado na véspera por dezenas de militares. Os manifestantes estavam presos em Tahrir, sem possibilidade de sair.
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