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Ao ler a nota elaborada pelo Exército, endossada pela Marinha e a Aeronáutica e entregue ao Ministério da Defesa contra a aprovação pelo Congresso da Comissão da Verdade, sinto que a posição externada pelo conjunto das Forças Armadas no documento é mais grave do que pareceu à 1ª vista, até mesmo para os jornais que a publicaram e repercutiram a partir de ontem.


Não dá para aceitar. Querem a reciprocidade, investigar a oposição e a resistência a ditadura? Investigar quem foi preso, torturado, condenado? Quem foi demitido e exilado, perseguido e viu sua família se desintegrar? Quem teve que viver na clandestinidade e no exílio para não ser preso e assassinado?

Mas, estes todos já foram julgados. A maioria, apesar de civis, por tribunais militares de exceção e, quando condenados, cumpriram pena. Querem que sejam investigados e julgados duas vezes ou mais?

Nota das Forças Armadas traz falsidade escandalosa

Não passa de uma falsidade escandalosa afirmar, como o faz o documento, que “passaram-se quase 30 anos do fim do governo chamado militar e muitas pessoas que viveram aquele período já faleceram: testemunhas, documentos e provas, praticamente, perderam-se no tempo" e ainda, em outro trecho, que “é improvável chegar-se realmente à verdade dos fatos”.

As testemunhas estão vivas, sim, e os documentos e provas foram destruídos ilegalmente, mas podem ser reconstituídos, de forma oral ou a partir dos fatos e provas. E o crime de destruição de provas não justifica, pelo contrário, só agrava a situação daqueles que participaram e deram as ordens.

A questão de fundo, o nome da Comissão diz tudo: é reconstituir a verdade. É fazer justiça, pelo menos histórica, já que os militares se apóiam na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo eles, impede o julgamento dos responsáveis pelas torturas e assassinatos, com a ocultação, até hoje, de cadáveres de militantes políticos da oposição ao regime militar (vejam o post"Querem expor testemunhas à pressões").

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