Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!'
(T. S. Eliot)
Eterna e irremediavelmente infantilizados, os estadunidenses farão um auê intragável e vão produzir um sem-número de filmecos sobre a morte de Osama Bin Laden, o monstro por eles criado para combater os soviéticos no Afeganistão e que depois se voltou contra os criadores.
Como num western do tempo das diligências, eles tudo fizeram para dar a Bin Laden o troco pela destruição das horríveis torres gêmeas do WTC, respondendo a um ato espetaculoso e inútil com outro idem. Os ingleses devem morrer de vergonha dos costumes rústicos de sua ex-colônia...
Houve revista, se bem me lembro a Época, que considerou Bin Laden a grande personalidade mundial da década passada.
Nem a pau, Juvenal; tratou-se apenas da mais acabada expressão do inferno pamonha que a indústria cultural engendrou. Na dita sociedade do espetáculo, qualquer pirotecnia genocida compensa se der ibope, vale tudo por 15 minutos de fama. Bin Laden teve bem mais, uns 15 milhões de minutos...
Seu atentado sinistro deu pretexto a uma escalada repressiva sem precedentes, que levou de roldão várias conquistas civilizadas em termos de justiça, direitos humanos e direitos civis.
E, como guerreiro, não passou de um desprezível bárbaro. Tinha todos os motivos para odiar os EUA, mas nenhuma justificativa para estender sua vingança aos civis. É uma prática bestial e inaceitável.
Portanto, não merece nenhum respeito ou comiseração por parte das pessoas empenhadas em livrar o mundo do pesadelo capitalista.

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