Marcela Rocha
Lucas Gordon, estudante de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), conta como e por que foi levado para a delegacia no último sábado (21), durante a Marcha da Maconha na capital paulista. "Eu estava distribuindo um jornal chamado O Anti-Proibicionista e um policial me viu fazendo isso. Fui detido sob alegação de desobediência civil".

Um outro jovem foi preso, segundo relatos de integrantes do grupo Marcha da Maconha, por carregar uma corrente com um pingente de coqueiro, confundido com uma folha de maconha pelo policial. Ao ver de perto o acessório, o delegado liberou o jovem: "Realmente isso é um coqueiro".
Na manifestação, havia cerca de 500 pessoas. Os policiais jogaram ao menos três bombas de gás lacrimogênio para dispersar o grupo. A PM anunciou nesta segunda que investigará se houve abuso por parte dos agentes.
Para Lucas, "a truculência (com que foram tratados) evidencia o despreparo da polícia para lidar com manifestações populares".
A avaliação de Lucas é compartilhada pelo jurista Wálter Maierovitch: "A polícia que provoca é uma polícia despreparada". Ele compara o comportamento dos policiais aos tempos da Ditadura Militar brasileira e condena a proibição à manifestação.
- Temos que pensar que todos os anos existem dificuldade em obter autorização para a marcha. Existem movimentos de linha direitista e reacionário que tentam impedi-la de todas as formas. Os organizadores têm sempre que entrar com medida judicial. A simples mudança dos tribunais, ora decide um jeito, ora de outro, leva ao acirramento - afirma o jurista.
Para Maierovitch, "a provocação e o descaso mostram uma policia que não sabe lidar com a legalidade democrática. E acaba fazendo um jogo como na ditadura. É um caos".
Como resposta à abordagem dos policiais durante à manifestação, os organizadores pretendem fazer uma Marcha pela Paz neste sábado (28). O grupo vai se reunir nesta quarta-feira (25), quando definirão detalhes do próximo protesto.

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