| Serra (esq.) e Alckmin (dir.) cumprimentam partidários em São Paulo Foto: Reinaldo Marques/Terra |
HERMANO FREITAS
Direto de São Paulo
O racha dentro do PSDB, maior partido de oposição ao governo federal do País, é notado até nos discursos de suas duas maiores lideranças na convenção estadual que escolherá o presidente do diretório.
Enquanto José Serra preferiu admitir a crise, inclusive "em nível federal", cobrando unidade, Geraldo Alckmin preferiu dizer que "há fragmentações", mas que culpá-lo por isso é "maquiavelismo". Sem citar nomes, o governador de São Paulo alfinetou o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, dizendo que a "proliferação de partidos" e a "proximidade com as benesses dos governos" é prejudicial.
"Existe uma crise no PSDB, por que negar? Mas o que querem de nós, até o eleitor do PT, é que saibamos fazer oposição. O problema não é divisão no partido, mas honrar os votos que recebemos. O maior risco que as oposições correm é perder tempo com disputas fantasmas. Cadê o PSDB, como um todo, defendendo suas ideias?", disse o candidato derrotado à presidência da República no plenário da Assembleia Legislativa. Ele ainda completou dizendo que as fofocas desanimam a militância. "A lógica do fuxico, das intrigas, desanimam quem votou em nós, enfraquecem o ideal", declarou.
Alckmin chamou as divisões dentro do partido de "fragmentações", desmentindo o colega. "Não há crise no PSDB, o que existe é o PSDB resistindo. Eu sinto é ânimo do PSDB!", disse. O governador de São Paulo aproveitou para dizer que é "inacreditável" responsabilizá-lo pelo mal estar entre seus apoiadores e os de Serra. "É inacreditável, é maquiavelismo de quem quer abalar as oposições", disse, para logo em seguida criticar veladamente um aliado de Serra, Kassab. "De Gaulle dizia que a França era difícil de governar pela quantidade de partidos que era tão grande quanto a quantidade de queijos", disse.
O ponto em que os dois foram convergentes foi quanto à necessidade de manter o ideal da sigla e de defender o voto distrital. "Que a bancada federal assuma como bandeira sua o voto distrital", disse Serra. "Vamos inocular dentro da sociedade o vírus da distritalidade, que aproxima a população dos eleitos", disse Alckmin. Os dois caciques trocaram afagos no palanque. "Só quero que o governo do Alckmin dê certo, não porque eu goste do Geraldo, e eu gosto dele, mas por São Paulo", afirmou. Alckmin instou o partido a combater as fofocas. "Falou mal do Serra, falou mal de mim", disse.
Apesar das divisões, a militância tentou dar um clima de festa à convenção. Questionado sobre o teor dos discursos, o deputado estadual mais votado do Estado, Bruno Covas, negou que os discursos exponham o racha. "Os dois discursos foram para cima", disse.
Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;