do DIRETO DA REDAÇÃO


Mário Augusto Jakobskind


A política partidária brasileira continua pequena, cada vez mais no varejo, haja vista o destaque que a mídia de mercado concede a figuras patéticas como Gilberto Kassab e mesmo o ex-Presidente FHC.
Este senhor fez o que fez em oito anos de mandato e como se não fosse responsável por uma série de medidas contra o povo, que não caberia neste espaço enumerar, tenta ditar regras para os brasileiros.

Agora mesmo, percebendo que o seu partido, o PSDB, está a fazer água começa a admitir a fusão com o Democratas, um aglomerado de políticos conservadores, parte ainda egressos da época da ditadura.

Por muito menos, em outros países presidentes que deixaram o cargo acabaram sendo obrigados a responder por atos suspeitos. Cardoso entregou o que pôde e fez o possível para reduzir o poder do Estado em nome de uma suposta modernidade. E ainda por cima mandou esquecerem tudo o que tinha escrito antes de ser Presidente, iludindo os mais incautos.

Criou um Instituto com o seu nome, que nestes dias reuniu oposicionistas venezuelanos em São Paulo para fazer proselitismo contra o Presidente Hugo Chávez. Nada de novo no front, a não ser a repetição de denúncias sem comprovação e que se aprofundadas não resistem a uma análise. Repetiram o que a Secretária de Estado Hillary Clinton vem dizendo exaustivamente, numa campanha com o objetivo de solapar a Revolução Bolivariana.

E no meio deste vazio do esquema PSDB-Demo aparece lépido e faceiro o Prefeito de São Paulo, Kassab, empenhado em criar um partido, o Social Democrata (PSD), que não se julga nem de direita, esquerda ou de centro, talvez muito pelo contrário.

Pior que o patético político de São Paulo acha que está falando sério. Pior ainda é que alguns analistas de sempre têm colocado o novo partido como inovador. Um dos tais analistas de sempre afirmou ser o PSD de esquerda. Esqueceu de pesquisar nomes que aderiram ao referido ideário. Só para citar alguns, a Senadora Kátia Abreu, ainda no Demo e porta-voz da bancada ruralista, além de presidente da Confederação Nacional da Agricultura fechou com Kassab, da mesma forma que o político carioca Índio da Costa, vice na chapa do candidato tucano José Serra. Este Da Costa, que ofende o grupo étnico com o seu nome, se alinha aos setores de direita que ainda utilizam o linguajar da Guerra Fria, como demonstrou na campanha presidencial do ano passado.

Para ilustrar a mediocridade do rambe-rambe político partidário surge no palco um político que se intitula comunista, mas tem o apoio entusiasta da senadora Kátia Abreu. Trata-se de Aldo Rabelo, do PC do B, relator do Código Florestal que está para ser votado no Congresso e que se aprovado como está concederá anistia aos depredadores do meio ambiente.

Os mais críticos ao projeto, relatado por Rabelo e que visivelmente favorece os grandes do setor fundiário, acusam o parlamentar de estar retribuindo favores pessoais prestados pelo agronegócio na campanha do deputado no ano passado. Rabelo responde as críticas dizendo serem feitos por “desafetos anticomunistas”.

Rabelo e outros que se consideram comunistas fazem lembrar a história do diálogo de um engraxate com um cidadão estadunidense na praia de Copacabana no período de grande efervescência política, antes de 64. O referido, influenciado pelo senso comum, se mostrava muito preocupado com a possibilidade da ascensão do comunismo no Brasil. Pediu a um engraxate opinião sobre o fato. Ele então não pensou duas vezes e respondeu ao cidadão estadunidense: “doutor, não se preocupe porque se o comunismo chegar nós avacalha”...

Há testemunhas deste diálogo retratado pelo inesquecível Sergio Porto, o Stanislau Ponte Preta, genial criador do Festival de Besteira que Assola o País (Febeapá). Se estivesse entre nós teria um tremendo manancial. País que tem FHC, Kassab, Kátia Abreu, Índio da Costa, Aldo Rabelo e tantos outros, como Paulo Maluf, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, que nem caberiam neste espaço, alimentariam o Febeapá.

E tem mais: se o governo Dilma Rousseff decidir cortar pensões de viúvas para economizar gastos, conforme disse o Ministro Garibaldi Alves, aí o fato merece citação no Febeapá. Será que o governo acha que cortar de pensionistas vai resolver alguma coisa? Em vez disso, não seria melhor adotar um posicionamento de frear a farra do capital financeiro, setor que realmente pesa na balança e não a(o)s pensionistas.

É isso aí, o Febeapá deveria ser revivido, até para contemplar as novas gerações com informações valiosas. Fica a sugestão de um Febeapá do III Milênio, que contemplaria também representantes de outros setores além do político partidário.


Sobre o autor deste artigoMário Augusto JakobskindÉ correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads