do REDE BRASIL ATUAL
Ex-ministros do Meio Ambiente criticam novo Código Florestal e pedem maior debate sobre as mudanças
Ex-ministros do Meio Ambiente apresentam, na Câmara dos Deputados, carta aberta contra o relatório do novo Código Florestal (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Abr)

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual
São Paulo – Dez ex-ministros do Meio Ambiente entregaram, nesta segunda-feira (23), Carta Aberta à presidenta Dilma Roussef pedindo o adiamento da votação da proposta de novo Código Florestal. O tema será apreciado nesta terça-feira (24), conforme prevê a pauta do plenário da Câmara dos Deputados. O texto questiona a votação sem avaliações prévias e a falta de debate sobre as eventuais consequências.


Assinam a carta, também dirigida aos líderes partidários no Congresso, os ex-ministros Carlos Minc (PT-RJ), Marina Silva (PV-AC), José Carlos Carvalho (sem partido), José Sarney Filho (PV-MA), Gustavo Krause (DEM-PE), Henrique Brandão Cavalcanti (sem partido-RJ), Rubens Ricupero (sem partido-SP), Fernando Coutinho Jorge (PMDB-PA), José Goldemberg (PMDB-SP) e Paulo Nogueira Neto (sem partido-SP).

Os ex-ministros ressaltam que não veem na proposta elaborada pelo relator da matéria, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), “coerência com nosso processo histórico". Segundo eles, as várias versões trazidas pelo parlamentar não contribuem para consolidar o desenvolvimento sustentável. "Ao contrário, se aprovada qualquer uma dessas versões, agiremos na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural."

Para a também ex-senadora Marina Silva, é preciso ter mais tempo para debater a proposta. “Há um acordo (para votação do relatório) do qual a sociedade não participou.” De acordo com Marina, é melhor adiar a votação do que fazer campanha para Dilma vetar parte da lei.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirma que a proposta de mudança do Código Florestal é perversa. “Sem uma pressão clara do governo e da sociedade civil, vamos ter uma derrota”, afirmou o líder, ao se referir à votação desta terça.

A carta ainda chama atenção sobre a retomada do desmatamento na Amazônia que decorreu da expectativa de enfraquecimento do atual Código Florestal. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento cresceu especialmente no estado do Mato Grosso em abril. As próprias autoridades locais reconhecem que este evento está vinculado à chance de o projeto de Aldo Rebelo virar lei.

O documento termina com uma convocação para que Dilma e o Congresso Nacional assumam o papel histórico de “liderar um grande esforço coletivo para que o Brasil prossiga em seu caminho de Nação que se desenvolve com justiça social e sustentabilidade ambiental”.

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