de Eduardo Guimarães
Quem quiser entender por que São Paulo vai encolhendo economicamente e crescendo no ranking das piores regiões do país para se viver devido à violência urbana, à péssima educação pública, à trágica situação do sistema público de saúde, à terrível situação do saneamento básico e das obras de prevenção de enchentes, entre outros, só terá que olhar para o que aconteceu na capital do Estado no último sábado, durante a“Marcha da Maconha”.
Antes, porém, há que olhar para fato recente que mostra para quem o governador Geraldo Alckmin governa. E o melhor exemplo disso é ele ter atendido a pedido de meia dúzia de gatos pingados endinheirados do bairro de Higienópolis e decidido tirar de lá estação de metrô que serviria a toda a cidade só para não “incomodar” esse grupelho que se acha dono de um bairro inteiro e com direito de interferir na vida de toda a comunidade paulistana.
Fiquemos na questão da segurança pública. Recentemente, reportagem da TV Bandeirantes mostrou a falácia tucano-midiática sobre uma absurda “queda da violência” no Estado de São Paulo, deixando ver que se deve a uma imensa farsa policial que deixa de registrar como assassinato tudo o que envolva mortes no âmbito de outros crimes, e que chega ao absurdo de delegados e escrivães desestimularem queixosos de crimes de fazerem Boletins de Ocorrência.
Todos viram a repressão policial abusiva, covarde, violenta do último sábado, produzindo cenas tristes que lembraram os piores momentos da ditadura militar, com policiais em grupo espancando, aqui e ali, um único manifestante. E não pelo uso de maconha, mas por pregarem a descriminalização dela, uma discussão acadêmica e de saúde pública que ocorre em todo o planeta, atualmente, como idéia para puxar o tapete do tráfico de drogas.
Falando em tráfico, aliás, lembremo-nos da tragédia urbana que produz, em São Paulo, problema para o qual os órgãos paulistas de Segurança não oferecem solução alguma, sendo o exemplo mais trágico, chocante e revoltante a região da capital dita “Cracolândia”, que fica a poucos quilômetros do elegante e preconceituoso bairro de Higienópolis, que acredita que pode se tornar uma ilha de paz e civilização em meios ao caos paulistano.
Enquanto os policiais militares espancavam cidadãos que apenas exerciam seu direito constitucional de reunião e manifestação na avenida Paulista e região, a poucos quilômetros dali as cenas que você verá no vídeo logo a seguir aconteciam sem a presença da autoridade policial. Em vez de combater o tráfico, a polícia tucana combate os que buscam fórmulas para resolver o que essa mesma polícia não resolve.
A imagem rotineira da Cracolândia, em São Paulo, é a de uma massa de duas mil pessoas vivendo no meio do lixo e das drogas. É assim há pelo menos dez anos. E o que foi feito de concreto para mudar esse cenário? Um jogo de empurra entre polícia e órgãos de saúde, tudo sob a batuta de Alckmin. Assim, a “Cracolândia” cresce como uma epidemia. E só quem sai ganhando é o tráfico. Vale, portanto, assistir ao vídeo abaixo. Só para não esquecer.
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