do CONTEXTO LIVRE

O papel de âncora no filme Quebrando o Tabu, que estreou na última sexta-feira (3), pôs Fernando Henrique Cardoso na berlinda. Ao defender a descriminalização de drogas leves, como a maconha, o ex-presidente despertou as mais variadas reações.
Para Anthony Henman, do Conselho Estadual de Entorpecentes e autor do livro Mama Coca, a participação de FHC no documentário é “importante e corajosa”. Mas o primeiro titular da Secretaria Nacional Antidrogas criada no governo FHC, Walter Maierovitch, critica a adesão do antigo chefe à luta que não abraçava no poder.
“Fernando Henrique é uma farsa”, dispara. “Ele fez o Brasil atrasar. Como explica que, como presidente, não quis seguir o exemplo de Portugal?”, questiona Maierovitch, secretário de FHC entre 1998 e 2000.
No longa de Fernando Grostein, o ex-presidente percorre vários países para mostrar experiências exitosas em relação a drogas. Entre elas, a de Portugal, onde o consumo de maconha deixou de ser crime e passou a ser infração administrativa. Entre as opiniões exibidas no filme estão as de outros ex-presidentes neoliberais, como César Gavíria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México.
“Fiquei um ano no governo e não consegui fazer a revolução que Portugal está fazendo”, diz Maierovitch. “Lá, houve uma redução de 30% no consumo de maconha.” O modelo português de adotar a legislação que não criminaliza o uso, mas só o comércio, foi recomendado a países da União Europeia.
PSDB
De quebra, o discurso de FHC pela descriminalização da maconha tornou-se uma fonte de discórdia entre lideranças de seu partido, o PSDB. Tucanos já se mostram abertamente preocupados com as possíveis repercussões das declarações do ex-presidente. A bandeira de FHC contraria a opinião majoritária da cúpula do partido, que teme que a fala de FHC tenha impacto em futuras eleições.
“Todo fato de repercussão pode influir no ânimo do eleitor. Mas ainda é cedo para mensurar se esse impacto será positivo ou negativo. Eu sou contra. Mas isso nunca foi discutido no partido”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), enfatizando que a descriminalização é uma bandeira pessoal de FHC, e não do partido.
“Preocupam-me determinadas circunstâncias dessa proposta”, admitiu o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Contrário à descriminalização das drogas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, preferiu relativizar o debate. “Embora minha posição seja contrária à legalização, entendo que o debate é positivo”, disse.

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