A se confirmar que o Ministro Antonio Palocci vai falar, com exclusividade, para o Jornal Nacional, terá errado antes de começar a falar.
À esquerda e aos que conhecem o que representa a Globo no sistema de comunicações brasileiro, não evitará – ainda que não o seja – a impressão de que é uma “entrevista” combinada com alguém que é “amigo da casa”.
Para os formadores de opinião,qualquer explicação que o ministro dê será pouca. Porque ficará a impressão de que foi “combinado”.
Os apresentadores do Jornal Nacional foram mais espertos que Palocci. Perceberam isso e vão deixar a entrevista para um repórter em Brasília, como se noticia.
Ao mesmo tempo, por temperamento, por natureza, por posições políticas e, para culminar, pelo veículo escolhido, Palocci não poderá usar aquela antiquíssima máxima de que a melhor defesa é o ataque.
Não é apenas um erro político esta decisão. É um erro estratégico.
A Globo não tem amigos, tem interesses.
Se Palocci foi um interlocutor forte para ela no Governo Lula e, potencialmente, poderia vir a ser no Governo Dilma.
Mas, politicamente fraco, Palocci não é interlocutor para nada.
E a Globo será a primeira a usa-lo – sem piedade – em favor dos seus interesses: enfraquecer o Governo Dilma e criar intrigas entre ela e Lula.
Quem não entende isso está fadado a ser devorado pela Globo de quem um dia pensou ser amigo.
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