| Camponeses inocentes foram mortos e depois identificados de propósito como guerrilheiros |
Um tribunal na Colômbia condenou nesta quarta-feira oito soldados a 60 anos de prisão cada um, pelas mortes de quatro camponeses que foram identificados de propósito e de má-fé como guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Esta é a mais recente condenação no escândalo conhecido como "falsos positivos", que surgiu em 2008.
Acredita-se que as forças de segurança colombianas tenham matado milhares de civis e feito suas vítimas passar por guerrilheiros, com a intenção de aumentar os "índices de sucesso" da ação policial no combate à guerrilha.
Segundo o correspondente da BBC na província colombiana de Antióquia, Jeremy McDermott, algumas das pessoas mortas eram inclusive vestidas com roupas semelhantes às usadas pelas Farc. Com as fraudes, os militares pediam promoções e pequenos benefícios, como dias de folga.
Os eventos que levaram à condenação desta quarta-feira ocorreram em 2006, na área de Yarumal, em Antióquia.
Os soldados alegavam que as suas vítimas - os agricultores Enrique Piedrahita, John Edison Galeano, Jesus Alberto Londono e Juan Darío Arroyave - eram guerrilheiros mortos em combate.
Em um comunicado, o gabinete do Procurador-Geral da Colômbia afirma que ficou provado que "as vítimas foram tiradas à força de suas casas, que não houve luta e que os homens eram fazendeiros que foram alvejados a tiros pelas costas".
Entre os soldados condenados está o tenente Luis Gabriel Rueda Acevedo.
O escândalo do "falsos positivos" chegou às manchetes dos meios de comunicação da Colômbia durante o mandato do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).
Desde o início das denúncias, várias altas autoridades renunciaram ou foram processadas. Segundo McDermott, cerca de 1,4 mil casos semelhantes ainda estão sendo investigados.
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