do Blog do Zé

Reunidos ontem e hoje em São Paulo, em mais um congresso da Associação Nacional de Jornais (ANJ), executivos representantes dos barões da mídia acionaram o cartel particular que montam nessas ocasiões e saíram em defesa da cobrança pelo acesso à informação nos seus portais na Internet. O encontro, ontem, contou com a participação de diretores dos grupos editoriais que controlam os jornais O Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e Lance!.


Foram unânimes na defesa de uma mesma posição: julgam ser necessário, o quanto antes, pensar a maneira de fazer essa cobrança no curto prazo e decidir se é o caso de seguir o exemplo de jornais norte-americanos, como o The New York Times, que já cobram pelo acesso a seus conteúdos na Internet.

Eles já fecharam uma posição quanto a pelo menos cinco pontos da questão: querem que os veículos parem de oferecer conteúdo grátis na web; entendem que não há outra alternativa a isto; julgam que a publicidade pela qual cobram não é mais suficiente para sustentar economicamente os veículos de comunicação; queixam-se de que a do governo, antes concentrada, está hoje muito pulverizada em todo o país; e consideram que as análises de colunistas (políticos, econômicos e especializados em geral) são o 1º tipo de conteúdo que poderia ser cobrado.

Esse grupo de jornalões é puro cartel!

Têm razão num ponto. Até o início do governo Lula, em 2003, a publicidade oficial era realmente muito concentrada, com o grosso das verbas distribuídas a meia dúzia de barões que detém a propriedade de meia dúzia de grandes jornais, revistas e redes de TVs e rádio. A partir dali, o governo optou por uma política de democratização das verbas de publicidade e propaganda, distribuindo-as por grandes, médios e pequenos veículos de todo o país.

Quando o presidente Lula deixou o governo, estas verbas já contemplavam centenas de veículos em todo o país. O que, aliás, suscitou a crítica de um dos jornalões ontem à presidenta Dilma Rousseff - já que ela manteve essa política. O veículo a acusa, agora, de priorizar emissoras de rádio de todo o país "na divulgação de uma agenda positiva".

Como vocês podem ver, ainda que de pires na mão, enfrentando crises, perdendo assinantes e leitores diariamente, nossa mídia não toma jeito, nem aprende. Esse grupo de jornalões é puro cartel. Agora estão reunidos em São Paulo para ver como cobrar algo que devia ser gratuito. O que querem mesmo é o de sempre: evitar a concorrência.

Por isso, reúnem-se, à luz do dia, para combinar como aumentar seu faturamento sem perder leitores e sem concorrência, pode? Onde estão o PROCON, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Secretaria de Defesa Econômica (SDE) que não enxergam isso e não saem a campo em defesa da livre concorrência e dos consumidores?

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